10 perguntas a Nuno Sobral

Published on January 30, 2023

Nuno Sobral licenciou-se em Engenharia Mecânica em 1997.
Iniciou a actividade profissional na fase final do curso na Autoeuropa, fez MBA em 2002 e manteve-se no sector automóvel até 2007. Depois seguiu-se uma experiência no sector segurador na assistência em Portugal, França e Itália até 2017.
Ao ser desafiado para nova experiência profissional em 2017, decidiu que era altura de continuar a empreender, fundando uma nova empresa nos serviços de mobilidade baseada num modelo nativo digital e num modelo de negócio totalmente novo focado no cliente, 100% transparente, lançando a TOOLTO.
É casado, tem 3 filhos e fala 6 línguas, adora o que faz e diverte-se em tudo o que faz! 

Porquê o Técnico?
Na altura da escolha da área a seguir no 10º ano estava sem saber que área escolher, adorava automóveis. Após realização dos exames psicotécnicos os resultados diziam que tinha a sorte de conseguir fazer quase tudo, sendo apenas arquitectura uma escolha de risco…. Após eliminar outras opções cheguei a uma short list de 2: Gestão e Engenharias. Optei por escolher engenharia e acabei por escolher o Técnico pelo prestígio como universidade em Portugal e fora de Portugal. Depois fiz o MBA em gestão.

Pode falar-nos um pouco dos seus estudos no Técnico?
Nos primeiros anos não era dos melhores alunos, mas à medida que o curso foi avançando fui ficando cada vez mais interessado com as matérias  e achei o curso prático e deu para perceber o porquê da importância de matérias aparentemente pouco interessantes dos primeiros anos. Nunca fiz nenhuma melhoria de nota e creio que fui dos primeiros a acabar o curso (dos que entraram em 1992).

O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Houve um caso que me marcou muito! Num exame perdi 2/3 do tempo do exame num grupo que acabou por não contar para a nota por não existirem dados suficientes para se encontrar a solução. Fui ter com o professor e disse que não achava bem, pois tinha perdido uma data de tempo para nada, ele respondeu que por vezes a vida profissional era assim e que nem todos os problemas se podiam resolver e que tínhamos de estar preparados para isso…. Nunca mais me esqueci que se não se consegue resolver ou não se resolve ou tem de que assumir alguns pressupostos de modo a chegar à solução.
Por outro lado, ao longo do curso, fui aprendendo que se nunca foi feito, não quer dizer que não se possa fazer, e que por via de estudo, de simulação e de perseverança, tudo se consegue. 

Qual foi a melhor parte do seu curso? E a mais desafiante?
A melhor parte e também a mais desafiante foi o trabalho final de curso de automatização de  um processo de soldadura invertido na AutoEuropa. Após alguns anos de fabrico das viaturas na AutoEuropa, não se conseguia estabilizar o processo de soldar com Robot um reforço dos espelhos retrovisores. Obrigava a um processo manual, pois não se conseguia estabilizar o processo efectuado pelo robot invertido. O desafio foi colocado ao Técnico e eu e outro aluno aceitamos este desafio, apoiados por um professor e pelo ISQ. Após estudo do problema, simulamos a situação real e no ISQ (Instituto de Soldadura e Qualidade)  descobrimos os parâmetros adequados para a operação. Por fim fomos para a fábrica primeiro fazer testes e depois implementar a solução.

Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Iniciei o meu percurso profissional na AutoEuropa no seguimento do trabalho final de curso do Técnico. Depois fiz o MBA e tive oportunidade em 2001 de lançar a marca de automóveis  smart em Portugal. Em 2007 mudei do sector automóvel para o sector segurador no grupo Europ Assistance em Portugal, França e Itália. Em 2017 fundei a TOOLTO, uma ferramenta de mobilidade. Combina tecnologia aplicada aos serviços de mobilidade e serviço a Cliente para indústrias de serviços intangíveis como Seguros, Banca, Automóvel e Utilities.

Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
O novo paradigma de mobilidade chegou, onde as viaturas são cada vez mais tecnológicas, autónomas e partilhadas, os custos mobilidade são menores o que faz este mercado crescer. Novos players estão a entrar neste mercado com ofertas nativamente digitais e como são serviços intangíveis o serviço a Cliente é um factor diferenciador para os players actuais (seguros, automóvel) e os novos players (plataformas ride hailing, micro mobilidade e visturas partilhadas). A TOOLTO é a ferramenta de mobilidade que garante uma experiência de utilização perfeita que, em caso de qualquer problema, não só o minimiza encontrando alternativas, como também o resolve. 

Como é que entrou na área profissional em que está agora?
Em 2007 fui convidado por um head hunter para integrar um processo de recrutamento para direcção comercial e marketing, em que era necessária alguma experiência no sector automóvel, fui seleccionado e desde então nunca mais saí desta area. Em 2017, ao ser desafiado para um novo desafio disse que em vez de melhorar uma empresa que já existia fazia mais sentido fazer uma de novo, acabamos fundando a TOOLTO.

Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira?
Ao olhar para trás vejo dois tipos de desafios, numa primeira fase procurar ir aprendendo cada vez mais, sempre com desafios novos num enquadramento mais individual. Numa segunda fase, manter a primeira com aprendizagem constante mas com mais responsabilidades ao nível da gestão de equipas e da necessidade de procurar ir envolvendo colegas, clientes, parceiros e acionistas de modo a conseguir garantir correcta implementação e execução de tudo o que planeamos. 

Que conselhos daria aos estudantes atuais? 
Divirtam-se, sejam humildes e sérios. 
Se iniciarem uma experiência profissional procurem bons exemplos, aprendam e sejam bons no que fazem. Se por algum motivo não gostarem, procurem algo que gostem, que existe!

Tem uma citação ou frase favorita?
"Não sabemos o que não sabemos".