10 perguntas a Miguel Allen Lima

Published on October 28, 2022

Miguel Allen Lima tem uma vasta experiência na indústria das Tecnologias de Informação e Telecomunicações onde, durante mais de 13 anos, trabalhou no Grupo ONI - profundamente ligado ao aparecimento das redes de nova geração (NGN) em Portugal - como CIO da ONI Telecom, e mais tarde como CEO da Hubgrade, uma integradora de telecomunicações e da Knewon, uma empresa de serviços na Cloud.
Em 2014 é nomeado CEO da ARQUILED, com o objetivo de efetuar uma profunda restruturação na empresa, levando-a a uma posição cimeira no segmento da iluminação pública LED. Em 2018 funda a Bright Science, uma empresa da ARQUILED, inteiramente dedicada à I&D em tecnologias de cidades inteligentes.
Licenciado e Mestrado em Engenharia Electrotécnica pelo Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa e com um MBA pela AESE da Universidade de Navarra, é também músico amador, viajante inveterado e velejador no seu tempo livre.

Porquê o Técnico?
Porque tenho uma ligação quase umbilical. O meu pai deu aulas no Técnico e por vezes, levava-me aos sábados, onde eu ficava a brincar nos laboratórios. Foi aí que tive contacto, pela primeira vez, com um computador e desde essa altura ganhei paixão pela eletrónica e informática, daí que o Técnico tenha sido a opção óbvia. 

O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Quase tudo. Se é verdade que nos primeiros anos, as aulas não eram muito apelativas, nos últimos tive a oportunidade de conhecer professores que me moldaram não só como profissional, mas também como pessoa. Fora das aulas fiz amizades que duram para toda a vida.

Qual foi a melhor parte do seu curso? E a mais desafiante? 
Sem qualquer dúvida, o trabalho de final de curso. A melhor, mas também a mais desafiante. Foram muitas noites sem dormir, muitas linhas de código escritas, muito café, muita camaradagem entre colegas. Mas, no fim valeu imenso a pena e, ainda hoje temos referências a artigos científicos que escrevemos fruto desse trabalho.

Em que atividades extra-curriculares esteve envolvido? 
No quarto ano, eu e um conjunto de colegas, reparámos que não havia uma sala com computadores ondes os alunos pudessem fazer os trabalhos. Assim, conseguimos convencer o departamento de eletrotécnica e criamos essa sala, a SCDEEC. Um dos motivos de orgulho é que ainda hoje a sala está operacional, 28 anos depois, nos moldes que nós criamos. 
Outra atividade foi a de investigação, inicialmente no CAPS e posteriormente no ISR. Foi uma oportunidade incrível para um aluno de licenciatura poder conviver com investigadores experientes numa fase tão inicial da sua formação.

No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê? 
Muitas, não consigo identificar uma só. O Prof. Agostinho Rosa que sempre nos orientou, desde o primeiro ano, que teve a paciência e a disponibilidade de nos apoiar. Ser um mentor. O Prof. João Sentieiro, não só pelas aulas fantásticas que dava, como também pela liderança inspiradora na criação do nosso ramo de Robótica e do ISR. Também a Prof.ª Isabel Ribeiro cujas aulas foram os alicerces de todo curso. A sua sebenta andou comigo até final do mestrado e felizmente, foram transformadas em dois livros. Mas, também a maior parte dos professores e investigadores do ISR que sempre estiveram lá para nos ajudar e com os quais ainda, hoje, mantenho contacto.

Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente. 
Atualmente sou CEO de uma empresa de iluminação inteligente, a ARQUILED. Temos-nos focado na eficiência energética, internet das coisas e cidades inteligentes. Em 2018 criamos uma subsidiária, a BrightScience que, dentro do Grupo tem como missão promover a investigação, a inovação e a parceria com as universidades. É como voltar aos tempos do Técnico e fundir a componente de investigação com a de gestão. 

Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira? 
A transformação de um engenheiro num gestor. É algo que acontece muitas vezes com o evoluir da carreira, mas nem sempre estamos preparados. O meu conselho é, procurem formação, seja sob a forma de um MBA, ou outro tipo de curso em gestão. A médio prazo, recomendo que apostem na formação em gestão para complementar os conhecimentos de engenharia.

O que o faz ter orgulho em ser um alumnus do Técnico?
Entrar no mercado de trabalho como alumnus do Técnico é sempre uma vantagem e um cartão de visita. Mas, também porque é um local onde tenho muito boas recordações, é a nossa alma mater. 

Que conselhos daria aos estudantes atuais?
Que vai correr tudo bem. É natural um aluno ter as suas inseguranças quanto ao futuro. Mas, no Técnico, vão receber uma excelente formação e, a médio prazo vai correr tudo bem.

Que palavra ou frase usaria para descrever os alumni do Técnico?
Um enorme potencial que não está totalmente explorado. Vejo com muita satisfação que se estão a dar passos importantes para melhorar o networking e ligação à universidade. Há muito a fazer mas acredito que estamos no bom caminho.