Enfrentar os desafios de um doutoramento para responder aos grandes problemas da sociedade

Published on October 27, 2025

É essa a cultura de exigência dos nossos dias no Técnico, onde aprendemos a pensar e a investigar com profundidade, a inovar com responsabilidade e somos orientados para pensar em soluções concretas que respondam aos grandes problemas da sociedade 

O momento em que defendi e terminei o meu doutoramento em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, no Instituto Superior Técnico, assinalou a conclusão de um percurso marcado por uma dedicação contínua à ciência, à engenharia e à inovação, construindo conhecimento novo.

Para todos os que atingiram essa etapa, presentes no XVI Dia Graduação do Técnico, realizado a 7 de junho, na Aula Magna da Universidade de Lisboa, o doutoramento representou um desafio intelectual e pessoal de muitíssima e elevada exigência. Concluir um doutoramento não é apenas um marco académico; é uma afirmação de resiliência, de compromisso com o conhecimento e de uma vontade teimosa de ir mais a fundo – mesmo quando tudo nos convida a parar.

Na exigência dos nossos dias, muitas vezes entre prazos, revisões e recomeços, esquecemo-nos de reconhecer o valor do caminho que percorremos. No Dia da Graduação temos a oportunidade de o fazer.

Entrei no Técnico em 2015 para realizar o mestrado integrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores. Após nove anos, terminei este percurso com o doutoramento, na melhor escola de engenharia do país e, na minha opinião, do mundo. Lembro-me ainda quando preenchi o formulário do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior e a minha mãe estava orgulhosa, mas receosa ao mesmo tempo porque eu só queria colocar um par instituição-curso. Apesar de pouco ter valido, lá lhe fiz a vontade e escolhi mais uns quantos cursos, mas todos na mesma instituição. Queria estudar eletrotecnia. Queria viver o Técnico. Entrei no que queria; querer esse que já vinha desde os 4-5 anos de idade. O meu pai passou-me, desde cedo, o fascínio pela eletróncia e eletrotecnia. Muitas vezes ia-me sentar ao lado dele na oficina que ele tinha em casa, o que mais uma vez deixava a minha mãe receosa com medo de que eu engolisse algum componente pequeno. O meu interesse foi sempre aumentando e sempre tive não como meta, mas sim como “checkpoint” estudar eletrónica, porque quem estuda nunca está contente com os objetivos que atingiu e vai sempre colocando outros, nunca deixando o grande desafio que é a vida ser totalmente completado.

É essa a cultura de exigência dos nossos dias no Técnico, onde aprendemos a pensar e a investigar com profundidade, a inovar com responsabilidade e somos orientados para pensar em soluções concretas que respondam aos grandes problemas da sociedade.

Nesse sentido, este percurso não teria sido possível sem o apoio de muitos. Em nome dos graduados de doutoramento, permitam-me expressar um agradecimento profundo a todos os que tornam estes percursos possíveis.
Os nossos orientadores e professores são exemplos maiores da exigência científica, da orientação rigorosa e do exemplo de integridade académia. No meu caso, os Professores António Baptista, João Torres e Maria João Martins foram referências incontornáveis.

As equipas de investigação, colegas e amigos, sempre ao nosso lado nos momentos de progresso e frustração. Os centros de investigação – no meu caso o Instituto de Telecomunicações (IT) – têm um papel fundamental no acolhimento e suporte.

O apoio constante da família e amigos, a paciência nos momentos difíceis e a presença que nunca falhou. Para além dos meus pais que sempre me apoiaram, no Técnico também conheci a minha namorada, que há já 9 anos é minha companheira de vida e que me ajuda e me traz para cima nos insucessos deste caminho de pedras, para me felicitar e chorar de emoção nos momentos de sucesso: complementaridade.

Durante este percurso, tive também a oportunidade de servir o Instituto Superior Técnico em órgãos como o Conselho Pedagógico e a Assembleia de Escola, e também fui delegado inúmeros anos. Essas experiências permitiram-me compreender, de forma mais clara, a importância do envolvimento cívico e académico na vida de uma instituição. A excelência que aqui se promove resulta não apenas da qualidade individual, mas sobretudo da construção coletiva – feita em diálogo, com rigor e exigência, mas também com sentido de comunidade e complementaridade.

Aos meus colegas graduados no mesmo ano que eu: que este marco simbólico nos recorde do potencial que cada um de nós transporta. Que continuemos a exercer a engenharia com ética, visão crítica e responsabilidade social. Que sejamos, em qualquer contexto agentes de conhecimento, de progresso e de integridade. Que sejamos investigadores mais maduros, cidadãos mais atentos e pessoas mais conscientes do seu papel no mundo.

Lanço um repto a todos: pior do que desistir dos sonhos é desistir de sonhar.

Artigo de Ricardo Lameirinhas: Sol