Construir ou reabilitar: qual o futuro? Pelo alumnus Bruno de Carvalho Matos

Publicado em August 19, 2025

A reabilitação urbana tem ganho espaço no debate público e político, mas continua a representar uma fatia reduzida no setor da construção em Portugal. Atualmente, menos de 12% da produção é dedicada à reabilitação, um valor quatro vezes inferior à média da União Europeia. Esta discrepância revela não apenas uma diferença estrutural no mercado, mas também a persistência de um modelo de desenvolvimento que privilegiou, durante décadas, a construção nova.

Segundo Bruno de Carvalho Matos, alumnus de Engenharia Civil do Técnico e autor deste artigo, esta realidade está a mudar de forma gradual, mas enfrenta resistências significativas. “O parque edificado português está envelhecido e mais de 35% dos edifícios necessitam de intervenção urgente. Adiar estas obras significa não só perder valor patrimonial e urbano, mas também comprometer a segurança e a sustentabilidade ambiental das cidades”, sublinha.

Um dos maiores desafios apontados é o custo: em média, a reabilitação pode ser 20 a 25% mais cara por metro quadrado do que a construção nova. Contudo, Matos defende que a questão deve ser analisada numa perspetiva mais ampla: “O valor da reabilitação não pode ser medido apenas em termos financeiros imediatos. Há benefícios sociais, culturais e ambientais que dificilmente se traduzem em números, mas que são cruciais para a qualidade de vida urbana.”

Nos últimos anos, a evolução legislativa tem dado mais consistência ao setor, com regimes específicos, incentivos fiscais e programas de apoio. Ainda assim, a falta de mão-de-obra especializada e o excesso de burocracia continuam a travar o crescimento de um segmento que pode ser determinante para atingir os objetivos de descarbonização e eficiência energética traçados pela União Europeia.

Para o alumnus, o grande desafio da próxima década será transformar a reabilitação de uma prática excecional para uma prática sistemática: “Só com uma taxa de intervenção próxima dos 4% ao ano será possível modernizar o parque edificado, reduzir riscos sísmicos e energéticos, e dar resposta à crise habitacional. A construção nova não pode ser a única resposta – temos de aprender a valorizar e reinventar o que já existe.”

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