10 perguntas a Luís Cunha

Publicado em January 12, 2024

Licenciado em 1998 pelo IST em Engenharia Eletrotécnica e Computadores – Ramos de Sistemas Eletrónicos e Computadores, o Luís Cunha atualmente desempenha funções de Diretor de Cybersegurança - Arquitetura e Engenharia na APTIV - uma empresa global e líder em soluções de condução autónoma para automóveis.
O seu principal foco está no desenho e implementação de programas de cibersegurança e estratégia global de cibersegurança da APTIV. Como exemplo o Luís está a trabalhar em programas como Fábricas do futuro, DevSecOps e Smart Cars.
Antes da Aptiv, trabalhou com a PT, Vodafone e NOS como Sénior Manager de Segurança e Operações de Infraestruturas.
O Luís é certificado pela SANS-GIAC em Security Strategy and Leadership. É também pós-graduado em Gestão de Empresas pela Lisbon Business School da Universidade Católica de Lisboa.

Porquê o Técnico?
Para quem que ser “engenheiro" Técnico é uma referência dentro e fora do nosso país. Desde muito cedo que soube que queria ser engenheiro e, como tal, sabia que o IST era a melhor instituição para aprender e formar-me como profissional, dado o seu prestígio e referência na área da Engenharia. 

Qual foi a melhor parte do seu curso? E a mais desafiante?
Dos anos que passei no Técnico claramente que os primeiros anos foram os mais desafiantes. Como pessoa e como aluno a mudança do secundário para a universidade foi enorme. A gestão do tempo, do trabalho e do estudo passou a ser da minha total responsabilidade. Tornamo-nos adultos e a universidade trata-nos dessa forma. Essa habituação foi muito difícil nos primeiros anos. A melhor parte claramente são os momentos memoráveis, os colegas e amigos de curso, a equipa do Rugby universitário onde levávamos o nome to IST bem longe e alto. Mas também os professores que fizeram a diferença durante o nosso curso e que nos prepararam para a futura vida profissional.

Em que atividades extracurriculares esteve envolvido?
Como jogador de Rugby, em representação do Clube de Rugby do Técnico, a atividade onde estive envolvido desde o meu primeiro ano no IST foi o Rugby universitário. Começamos por ser um grupo pequeno, mas rapidamente nos tornamos numa equipa de referência do Rugby universitário vencendo por cinco vezes consecutivas o campeonato Nacional. Desse grupo fiz amigos de vários cursos: Civil, Mecânica, Química, Electro, Informática e outros, desenvolvendo fortes amizades.

Qual é a sua melhor recordação do Técnico?
Tenho duas recordações fortes. O dia em que entrei e o dia em que fui juntamente com o Sr. Carvalhosa lançar os foguetes. Foi uma etapa fantástica da minha vida que me preparou e continua a ajudar no modo como encaro todos os desafios profissionais.

Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Tal como acontece como muitos alunos do Técnico, o meu percurso profissional começou ainda na altura em que estava a finalizar o meu trabalho final de curso. Foi um desafio grande na medida em que a mudança foi extremamente exigente. Nesta mudança o Técnico foi diferenciador. O Técnico prepara-nos para este tipo de desafios. De não ter medo nem receio de aceitar novos desafios. Comecei na Portugal Telecom na área dos sistemas informáticos. Menos de dois anos depois tive a oportunidade de ir trabalhar para Paris pela Marconi onde estive como engenheiro responsável pela rede de dados que suportava o serviço da empresa. Foram dois anos fantásticos onde cresci muito profissionalmente. De volta a Portugal, passei pela Vodafone onde fui responsável pela equipa de gestão de redes empresariais e corporate e onde encontrei uma empresa com um ambiente de trabalho extraordinário. A CEC - Comunicações e Computadores foi o meu passo a seguir com um lugar de mais responsabilidade ligado à implementação de um projeto pioneiro da EDP para fornecimento de internet pela rede elétrica. Foi novamente num ambiente excecional de trabalho que face a novos desafios tive de encontrar as melhores respostas. Em 2007 acabei na ZON e depois NOS como responsável da rede de dados para os serviços TV, net e móvel. Neste momento encontro-me a desempenhar as funções de liderança de uma equipa de cybersegurança global numa empresa internacional.

Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Como referi na pergunta anterior, estou atualmente como responsável de uma equipa de engenheiros de cybersecurança com a responsabilidade de desenhar e implementar sistemas de defesa e monitorização contra-ataques cyber que a empresa possa sofrer. Tenho uma equipa global com presença na India, Irlanda, Portugal e USA.  O principal papel é perceber as necessidades de negócio de cada uma das áreas da empresa, desenvolver proteções e controlos de cybersegurança sem impactar tanto o negócio como a qualidade da experiência dos utilizadores e clientes. Sendo uma empresa global a atuar na área da indústria e do desenvolvimento de software podem imaginar a quantidade de desafios variados, diferentes e desafiadores.

Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira?
Um dos maiores desafios tem sido manter-me sempre atualizado de um ponto de vista tecnológico. Como engenheiro, e para responder da melhor forma aos desafios propostos tenho de estar sempre atualizado para que as soluções encontradas e propostas são de qualidade. Rapidamente nos tornamos obsoletos se não fizermos e tivermos este cuidado.

Quais são os seus planos para o futuro?
Ser feliz com saúde, orgulhoso do que fiz e ajudar os outros que estão na caminhada ou no início dela. Como Técnico nunca poderei deixar de parar de aprender para ajudar.

O que o faz ter orgulho em ser um alumnus do Técnico?
Fazer parte de uma escola que é uma regência nacional e internacional.

Que conselhos daria a raparigas do ensino secundário que estão a pensar em estudar STEM, particularmente no Técnico?
Nunca hesitem por uma carreira nestas áreas pois tê-las na engenharia ajuda a poder fazer diferente. Enquanto alumnus do IST só posso passar o entusiasmo que tenho sobre a forma como o IST moldou a minha forma de pensar, aprofundar e raciocinar sobre os problemas técnicos da engenharia. Eventualmente poderão, ou não, poderão ouvir “coisas” sobre o Técnico. Mas lembrem-se que o Técnico será sempre o Técnico. E um engenheiro do Técnico é único.