10 perguntas a José Epifânio da Franca

Published on November 3, 2023

José Epifânio da Franca é Licenciado em Engenharia Electrotécnica pelo IST (1978), Doutorado pelo Imperial College (1985), Doutorado Honoris Causa pela Universidade de Macau (2006), Fellow do IEEE (1997). Professor Catedrático do IST (2000) e Adjunct Professor da Chinese University de Hong Kong (1997). Entre 1987 e 1992 foi membro do Conselho Executivo do IST, do Conselho Universitário e do Senado da Universidade Técnica de Lisboa e Secretário de Estado dos Recursos Educativos no XI Governo Constitucional. Foi membro do Board of Governors da Circuits and Systems Society do IEEE (1999-2001), Fundador e CEO da Chipidea (1997-2008), Presidente do Conselho de Administração da Portugal Ventures e da PME Investimentos (2012-2015). Foi membro do Conselho Nacional para o Empreendedorismo e Inovação e do Information Society Technologies Advisory Group da Comissão Europeia e é membro do Conselho da Indústria da CIP. Foi agraciado com o “Grande Oficial da Ordem do Mérito” e, entre outras distinções, recebeu o “Prémio Cotec BPI de Inovação”, o “Prémio de Empreendedor do Ano“ do INSEAD Portugal Alumni, o prémio “Empreendedor Internacional do Ano” da Ernest & Young, a “Golden Jubilee Medal” e o “Industrial Pioneer Award” da Circuits and Systems Society do IEEE e o “Prémio Universidade de Coimbra”.


Porquê o Técnico?
Em 1972, em Lisboa, na Universidade, creio que não havia alternativa.

Pode falar-nos um pouco dos seus estudos no Técnico?
Academicamente, foi um percurso normal. No contexto estudantil foram tempos complicados, pré-25 de Abril com o fecho do Técnico durante 6 meses, e pós-25 de Abril com tempos muito conturbados de protesto e violência.

O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
A equipa de volleyball e a participação nos campeonatos nacionais da primeira divisão, com adversários como o Benfica, Lisboa Ginásio, FC Porto, Leixões, Sporting de Espinho e Académica de São Mamede e muitos outros grandes clubes nacionais.

Em que atividades extra-curriculares esteve envolvido?
Entrei da equipa de volleyball, no tempo de pessoas e jogadores extraordinários: Augusto Cavaco, Frederico Valsassina (Pai), André Mendes, Luís Briz, Carlos Poppe, José Carregoso, Francisco Vaz, Canas e tantos outros. Cheguei a ser coordenador da Secção de Volleyball e joguei a final da Taça de Portugal 1976/77 (perdemos com o Leixões, em Coimbra 😞).

Qual é a sua melhor recordação do Técnico?
O gosto pela Electrónica, os livros que comprava com dinheiro ganho com explicações e que devorava. A Livraria Escolar Editora na Rua da Escola Politécnica era paragem obrigatória todas as semanas a partir do terceiro ano, 1975/76.

Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Acho que foi um início mais ou menos normal. Tinha sido bom aluno, acabei o curso com média boa (16, hoje seria uma média pouco melhor do que medíocre…) apareceu uma oportunidade de Assistente Estagiário, agarrei a oportunidade… e continuei.

Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Professor do Técnico, particularmente interessado em estimular o espírito empreendedor de jovens talentosos, fazê-los sonhar e acreditar que podem ser “campeões do mundo”. Serão o que forem as referências que tiverem, medíocres ou extraordinários, mas podem ser tudo o que quiserem ser!
Muito interessado na valorização económica do conhecimento, da dinâmica empreendedora e de criação de startups, porque acredito no seu papel decisivo para a modernização económica do país e prosperidade nacional.

Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?
Despedir 10 engenheiros, 10 pessoas com 10 famílias, no design center da Chipidea em Leuven, Bélgica, em 2006.

Como é que entrou na área profissional em que está agora?
Em 1978, termino o curso e agarro a oportunidade que me foi apresentada de começar a carreira académica, como Assistente Estagiário. Desde então, até hoje, o Técnico foi a minha casa, a minha vida, e como nas casas e nas vidas, saí e entrei várias vezes. Sei que será a minha casa e a minha vida até ao fim.

Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira?
Voltar a Portugal depois do Doutoramento no Imperial College, em Londres, financiado pela British Telecom, sem hesitar um minuto na recusa de uma oferta de emprego e na decisão do regresso no dia a seguir ao exame, sabendo que o meu país não me daria o que eu queria, mas com a inconsciência e ousadia de acreditar que poderia construir tudo o que quisesse. Não foi fácil, houve baixos e altos, mas valeu a pena!

Atualmente, como é um dia típico para si?
Começar cedo, entre as 7 e as 8, estar no Técnico com alunos, fazer o que gosto, um privilégio.

Quais são os seus planos para o futuro?
Fazer o que faço até que não deixem fazer mais uma parte do que gosto, quando chegar o fatídico dia dos 70 anos.

O que o faz ter orgulho em ser um alumnus do Técnico?
Ter feito o que consegui fazer e saber que no meu muito pequeno espaço de conhecimento fiz saber ao mundo que o IST existia.

Que conselhos daria aos estudantes atuais?
Sonhar e acreditar e atirarem-se ao mundo com garras e ambição que a vida os recompensará.

Que conselhos daria aos estudantes do ensino secundário que estão a pensar em estudar STEM, particularmente no Técnico?
Vejam tudo o que os rodeia, casas, telemóveis, motos, carros, aviões, apps, tablets, bolas, equipamentos, copos, tudo, literalmente tudo tem na sua criação processos de engenharia. Sonhem ser engenheiros para ajudarem a criar o mundo.

De que mais se orgulha na sua vida?
Ter feito o que fiz, talvez ter sido o primeiro em Portugal a ser eleito Fellow do IEEE.

Tem uma citação ou frase favorita?
It is all about people!