
10 perguntas a António Comprido
António Comprido licenciou-se em Engenharia Mecânica em 1970 no Instituto Superior Técnico. Ao longo de mais de 52 anos de carreira profissional, teve muitas oportunidades de frequentar ações de formação em diversas áreas profissionais, incluindo ações nas Universidades de Cambridge e Stanford. Iniciou a sua carreira como Assistente de Investigação no Laboratório de Física e Engenharia Nucleares da Junta de Energia Nuclear. Foi Assistente Regente do curso de Engenharia Mecânica, entre 1972 e 1979, na mesma universidade onde se formou. Esteve na Indústria Naval, entre 1975 e 1987, em diferentes sectores, nomeadamente diretor nos Departamentos Organização e Informática e de Reparação Naval da Setenave, uma das maiores unidades do mundo, à data. Foi Diretor na Siderurgia Nacional entre 1987 e 1988. Entrou para Diretor da BP Portuguesa em 1988, e tornou-se membro do Conselho de Administração em 1994, assumindo a Presidência de 1999 a 2008, após um período de dois anos, entre 1997 e 1999, como CFO da BP Oil UK. Foi ainda membro da Direção da Associação Portuguesa das Empresas Petrolíferas, APETRO, tendo sido Presidente desta Associação de 2001 a 2007. Reformou-se da BP em 2008 e tornou-se secretário-geral APETRO em 2009.
Foi Presidente da Câmara de Comércio Luso-Britânica entre 2010 e 2017, é Membro Sénior da Ordem dos Engenheiros, e membro dos Conselhos Consultivos do Departamento de Engenharia Mecânica do Instituto Superior Técnico, da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos e da Unidade de Reservas Petrolíferas da Entidade Nacional para o Setor Energético.
Porquê o Técnico?
Quando em criança me perguntavam o que queria ser quando crescesse, sempre respondi ser engenheiro de máquinas. Essa "vocação" nunca me abanou, pelo que o Técnico, sendo eu de Lisboa, foi a escolha óbvia.
No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?
Conheci muita gente boa, mas houve uma figura que me marcou e teve grande influência nas minhas opções de carreira no início da atividade profissional. Refiro-me ao saudoso Professor JJ Delgado Domingos, na altura um jovem, que todos conheciam por JJ.
Qual é a sua melhor recordação do Técnico?
O dia em que fiz o último exame e disse para mim mesmo: consegui!
Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Por influência do Prof. Delgado Domingos, comecei, ainda como estudante finalista, do 6º ano (sim, a licenciatura era de seis anos), a trabalhar como "tarefeiro" no Grupo de Transferência de Calor do RPI (Reator Português de Investigação) do Laboratório de Física e Engenharia Nucleares (LFEN). Terminada a licenciatura em julho de 1970, fui convidado a continuar, agora em full time, como tarefeiro equiparado a Assistente de Investigação. Fiquei por lá até 1975, tendo acumulado com Assistente regente da cadeira de Permutadores de Calor co curso de Engenharia Mecânica a partir de 1972. Pelo meio em 1971, tive que cumprir o serviço militar obrigatório, tendo ao fim dos seis meses de recruta e especialidade, requisitado para continuar a trabalhar no LFEN.
Este era, à data, um dos principais centros científicos e de investigação em Portugal com muitos especialistas em vários ramos que tinham obtido os seus doutoramentos no estrangeiro. Convivi com alguns deles e aprendi a abordar os problemas de forma aprofundada e procurando sempre alicerçar as decisões com base na ciência. Considero essa experiência, marcante para a minha futura atividade profissional.
Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Já lá vão quase 53 anos desde o tal dia em que respirei fundo e disse a mim mesmo: consegui! Hoje desempenho as funções de Secretário-Geral da Apetro-Energia em evolução, estando profundamente empenhado em acompanhar a transição energética, e na transformação profunda que estamos a viver. Os muitos anos de atividade ligada ao setor energético e empresarial, ajudam-me a entender esta mudança de uma forma pragmática "olhando para o futuro sem esquecer o presente".
Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?
Sem dúvida o de aceitar ir trabalhar para o Reino Unido, numa altura em que dois filhos adolescentes não aconselhavam pegar na família e emigrar. Por isso a perspetiva de não estar diariamente com a minha mulher e os meus filhos era, no mínimo, desafiante para mim. Ainda hoje me lembro do almoço em que comuniquei aos meus filhos a decisão que tinha tomado, por razões profissionais, e a reação que tiveram.
Como é que entrou na área profissional em que está agora?
Enquanto Presidente da BP Portugal, fiz parte e presidi à Direção da Apetro. De modo que depois de me reformar daquela empresa em 2008, foi com naturalidade que surgiu o convite e o interesse para assumir a função de Secretário-Geral.
Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira?
Tive a felicidade de participar em vários projetos de grandes transformações e desempenhado funções muito diversas ao longo da minha carreira. Aprendi que de todas as experiências colhemos ensinamentos muito válidos, mas que não podem nunca ser tomados como resposta aos novos desafios que vão surgindo. As mudanças de empresa e de ramos de atividade representaram desafios e testes importantes às minhas capacidades.
Que conselhos daria aos estudantes atuais?
Oiçam sempre os conselhos dos que vos rodeiam, sejam familiares, amigos, professores ou colegas, mas nunca deixam de pensar e decidir palas vossas cabeças e de acordo com os vossos valores e convicções.
Tem uma citação ou frase favorita?
Um grande líder é o que consegue resultados extraordinários com equipas de pessoas normais.
