10 perguntas a Duarte Pape (na realidade 13...)

Published on February 17, 2023

Duarte Pape licencia-se em Arquitetura pelo Instituto Superior Técnico (IST), com trabalho final subordinado ao tema “Projeto urbano em Chelas”. Expôs, no Festival Beyond Media, Florença, 2006, o trabalho “Roman theatres according to the rules of Vitruvio”.

Em 2007, inicia a sua colaboração com o atelier Promontório Architecture, desenvolvendo projetos nas áreas de retail, turismo, habitação e lazer, desde as fases de masterplan até ao projeto de execução (2007-2010).
Entre 2008 inicia uma investigação sobre o património de origem colonial portuguesa especificamente em São Tomé e Príncipe, sendo autor de diversas publicações e comunicações dedicadas ao tema, em especial As Roças de São Tomé e Príncipe (2013) e BIJAGÓS: Património Arquitetónico (2016) na Guiné-Bissau, ambas edições da Tinta-da-china. Funda em 2013 o escritório PARALELO ZERO onde se dedica à prática de projeto e investigação desenvolvendo projetos de diversas escalas e programas, desde recuperação e reabilitação, construção de raiz ou escritórios, dos quais se destacam algumas das mais conceituadas tech companies portuguesas como Talkdesk, Uniplaces, Indiecampers, Seedrs ou 360 Imprimir.

Porquê o Técnico?
Em 2001 o curso de Arquitetura encontrava-se ainda no início, mas propunha uma linha de ensino distinto da maioria dos cursos, com uma componente tecnológico mais vincada. A linha de ensino do IST, bem como ser um curso ainda no início era visto como um curso vanguardista, próximo de algumas universidades europeias.
Contribuiu ainda o feedback de alguns amigos alunos do curso.

Em que atividades extracurriculares esteve envolvido?
Fora do curso tinha uma série de atividades extracurriculares, desde atividades desportivas (praticante de REMO), como de carácter mais social através da associação de campos de férias (CAMTIL) que ainda hoje faço parte. As várias atividades davam a perceção aos meus colegas de que era de certo modo mentiroso e algo “preguiçoso”.
Sendo um ex-aluno católico praticante, recordo-me do IST como um estabelecimento que inibia qualquer prática de fé. Nesse sentido recordo-me de me ter envolvido no Grupo de Acão Social (GASIST) integrado na AEIST. Esse grupo esteve na base das Missões Universitárias (Estremoz 2004, 2005 e 2006), onde começámos com apenas 10 alunos e hoje são centenas de alunos que participam na Missão País.
Recordo que dada a componente religiosa, o grupo GASIST rapidamente foi extinto por não poder ter qualquer associação politica, religiosa ou outro. Deu grande discussão visto que o grupo gostaria de discutir Cristo no IST e solicitámos ao reitor autorização de celebração eucarística no período da Páscoa , onde recolhemos uma serie de docentes signatários sendo o primeiro o Engenheiro António Guterres na altura professor convidado.

No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?
Senti sempre que o corpo docente de Arquitetura especificamente era pouco inspirador. Tirando o Professor Arq. Manuel Vicente e Manuel Salgado faltavam arquitetos de renome. Contudo, na componente técnica e teórica recordo com saudade a Professora Ana Tostões, o Professor José Pinto Duarte, muito existente que vanguardista no ensino, vinha com a influência e exigência do MIT. Foi posteriormente reitor da Faculdade de Arquitetura de Lisboa e hoje professor nos EUA.
Ainda hoje acompanho com atenção o percurso dos dois professores.

Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Atualmente sou responsável por um escritório de Arquitetura de pequena dimensão com apenas 6 colaboradores (com vários Alumi) e desenvolvo projetos completamente diferentes entre si. Desde projetos em vários pontos geográficos, desde Portugal, São Tomé e Príncipe ou Guiné-Bissau, como de diferentes tipos: áreas residenciais, escritórios de empresas tecnológicas, mas também projetos de Realidade Virtual integrado numa equipa de cientistas de todo o mundo (projeto da FCT). Colaboro com diversos clientes internacionais o que permite compreender em permanência outras formas de pensar e trabalhar.

Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?
Diria que foi no ano de 2013, em plena crise e já casado e com filho em que fiquei sem trabalho no escritório onde trabalhava. As oportunidades de trabalho em Portugal eram muito escassas e muito pouco desafiantes. Decidi arriscar e dedicar-me durante 4/5 meses a um trabalho de investigação sobre o património colonial em São Tomé e Príncipe. Nesse período fiz de tudo um pouco para sobreviver mas ao fim de 6 meses e após publicar o livro “As Roças de São Tomé e Príncipe” recebi algumas encomendas de projetos e fundei o escritório PARALELO ZERO (Linha do Equador que passa em São Tomé).

Como é que entrou na área profissional em que está agora?
Um licenciado em Arquitetura pelo IST acaba por ter diversas possibilidades de carreira mas distante da atividade criativa e de projeto ( Gestão de Obra, Gestão de Projetos, Consultoras Imobiliárias, Construtoras, etc.).
O facto de ter tido a oportunidade de trabalhar em projeto de Arquitetura num escritório exigente e de dimensão europeia embora português e sediado em Lisboa permitiu iniciar a carreira num bom patamar e que contribui decisivamente para continuar a trabalhar na área de projeto.

Quais são os seus planos para o futuro?
Consolidar o negócio, captar clientes de maior dimensão e crescer o volume de negócio para o dobro, sem necessariamente crescer a equipa. O Segredo está em manter todas as pessoas com uma carga de trabalho constante permitindo crescer a equipa como um todo ( esponsabilidade, autonomia e eficiência).

O que o faz ter orgulho em ser um alumnus do Técnico?
Ter passado pela escola da superação, física e intelectual.

Que conselhos daria aos estudantes atuais?
Nunca desistir mesmo que o curso pareça que não faz sentido nenhum para o que queremos fazer no futuro. O IST é uma escola para a vida, e os nossos contextos e desejos profissionais vão mudando ao longo do tempo. A preparação que o IST nos dá ajuda-nos a superar qualquer desafio.

Que conselhos daria às raparigas que estão a pensar em estudar STEM, particularmente no Técnico?
Não tenho grandes conselhos porque as mulheres são muito mais competentes e capacitadas que os homens, em qualquer área e em qualquer curso.

Que palavra ou frase usaria para descrever os alumni do Técnico?
Ultracapacitados.

De que mais se orgulha na sua vida?
Ter três filhos, ter escrito dois livros e ter plantado mais de uma centena de árvores e não depender de ninguém para ser o que sou. O que conquistei veio da minha capacidade pessoal e não de favores ou compadrios. Gosto da Meritocracia.

Tem uma citação ou frase favorita?
Não tenho frases clichés, mas hoje em dia, num mundo cheio de opiniões certas tenho usado esta de W. Eduards Deming: “Without data you are another person with an opinion”.