
Técnico acolheu o lançamento do AMALIA, 1.º modelo Português de IA em código aberto
Duas equipas compostas por professores e alunos do Técnico colaboraram no desenvolvimento do modelo central e na integração de competências de fala do AMALIA.
O Técnico Innovation Center powered by Fidelidade acolheu, no dia 1 de julho, a apresentação oficial do AMALIA (Assistente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial), o primeiro modelo português de Inteligência Artificial de código aberto. O projeto, que foi liderado por equipas de investigação do Instituto Superior Técnico, da Universidade de Lisboa e da Universidade NOVA de Lisboa, em colaboração com as universidades de Coimbra, do Porto e do Minho, encontra-se já disponível para utilização.
Para André Martins, docente do Técnico que esteve linha da frente do desenvolvimento do projeto (EuroLLM), o AMALIA é o resultado de uma “sinergia” e de uma colaboração académica exemplar, desenvolvida ao longo de 18 meses por cerca de 80 investigadores.
O docente explicou que o modelo teve por base o modelo EuroLLM, desenvolvido para suportar várias línguas europeias, ao qual foram acrescentados dados em português europeu, recorrendo ao ArquivoPT, permitindo criar um modelo especialmente direcionado para esta variante.
Mais do que o próprio modelo, André Martins destacou o impacto do projeto na formação de uma geração de investigadores. “É talento que existe em Portugal e que está habilitado para poder desenvolver este tipo de coisas no futuro. Isso tem imenso valor, toda a quantidade de investigadores que está a pôr as mãos neste tipo de tecnologia”, declarou.
Investigadores do Técnico centraram-se também no desenvolvimento das competências de fala do AMALIA. Alberto Abad, docente do Técnico, liderou a equipa responsável por dotar o modelo da capacidade de converter automaticamente áudio em texto.
Segundo o investigador, esta funcionalidade permitirá utilizar o AMALIA em tarefas específicas de processamento de língua portuguesa, oferecendo maior controlo sobre os dados e possibilitando a realização de experiências in-house, com recursos próprios e desempenho comparável ao de outros modelos na compreensão do português europeu.
Para Alberto Abad, este modelo não só “tem muita potencialidade”, como representa um ponto de partida. “Não há nenhum modelo que seja criado e fique congelado. Os modelos evoluem constantemente, com novas versões, novas funcionalidades e novas capacidades”, afirmou.
Beatriz Carneiro é uma das estudantes do doutoramento em Engenharia e Informática e de Computadores que integrou a equipa responsável pela avaliação do modelo e partilhou a sua experiência. “Nós tivemos encarregados de ver que datasets é que poderíamos utilizar para avaliar o modelo e o que ainda precisava de melhorias”, explicou. Sobre a experiência de colaborar com outras universidades, a estudante considera que foi um desafio estimulante. “Nunca tinha feito parte de um projeto desta dimensão, foi uma experiência bastante enriquecedora”.
Já Gonçalo Vinagre, estudante de doutoramento na Universidade NOVA de Lisboa, acredita que apesar de ter sido um projeto “muito escrutinado” o modelo poderá superar as expectativas. “Será muito útil no desenvolvimento de projetos científicos e pessoais em português de Portugal”, afirmou. Além da utilidade prática do modelo, o estudante salienta o contributo do projeto, refletido na publicação de artigos científicos, benchmarks e novos datasets disponibilizados à comunidade de investigação.
“Felizmente, Portugal teve pessoas com visão que, há muitas décadas, investiram nesta área”
Durante a sessão, as funcionalidades do novo modelo de linguagem de grande escala (LLM) foram demonstradas ao vivo por Manuel Dias, CTO do Estado e presidente da ARTE, que utilizou o AMALIA como guia inteligente numa visita virtual a museus.
Na cerimónia, Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação, destacou o papel decisivo que a Inteligência Artificial terá na criação de “grandes espaços” e no reforço da posição de Portugal e da Europa. “Felizmente, Portugal teve pessoas com visão que, há muitas décadas, investiram nesta área”, declarou, salientando a importância do investimento em investigação dentro das universidades portuguesas.
Também presente na cerimónia, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, dirigiu uma mensagem de reconhecimento à comunidade académica.”É muito gratificante sentir que cientistas portugueses, tecnologia portuguesa e conhecimento português são capazes de colocar à disposição do país, e em particular da comunidade de países de língua portuguesa, um modelo que nos permite enfrentar as próximas décadas com maior autonomia e menor dependência.” O chefe do Governo concluiu deixando uma mensagem de confiança à comunidade. “Contamos convosco para continuar a inovar e a criar conhecimento”.
