10 perguntas a Rafael Cordeiro

Published on January 6, 2023

Rafael Cordeiro tem 23 anos, termina o Mestrado Integrado em Engenharia Eletrotécnica e Computadores este ano, com passagens pela Carnegie-Mellon University, Pittsburgh USA e Massachusetts Institute of Technology, Boston USA, através da atribuição de uma bolsa Fulbright e do programa MIT Portugal. 

Nascido na Madeira e com um profundo interesse pelo espaço, teve a oportunidade de poder contribuir para o sistema de navegação para a segunda missão V-R3x, na Carnegie-Mellon, através do lançamento de quatro CubeSats para o espaço, ao que tudo indica, em 2023.

Atualmente trabalha como Cloud Solution Architect na Microsoft, passando o foco de colocar Portugal na fronteira da inovação espacial para tornar Portugal num novo centro de inovação tecnológica Europeia.

Porquê o Técnico?
Quando terminei o secundário, embora tenha tido muitas incertezas sobre qual o curso que iria seguir, a única certeza que tinha era que queria estudar no Instituto Superior Técnico. Desde muito cedo que soube que queria ser engenheiro e, como tal, sabia que o IST era a melhor instituição para aprender e formar-me como profissional, dado o seu prestígio e referência na área da Engenharia. 

Como foi estudar no Técnico? 
Estudar no Técnico foi envolvente e desafiante. Sem dúvida que a componente educativa do IST é exigente e requereu, da minha parte, muito esforço e dedicação. Esta permitiu-me desenvolver skills essenciais na construção da minha vida profissional. 
Por outro lado, o ambiente académico do Técnico é único. A diversidade de atividades e a interajuda entre os estudantes fez-me criar ligações de amizade que levo comigo para a vida. 
Por último, o elevado reconhecimento internacional do IST somado ao interesse que o Técnico desperta nos alunos, permitiu-me estagiar em várias empresas de relevo nacional e estudar nos EUA. 
Posto isto, considero que estudar no IST abarca todas as vertentes que considero essenciais durante a vida académica.  

O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Considero que, durante os 5 anos que estudei no Técnico, cresci muito como pessoa e como profissional. Das aulas, fora a grande componente teórica e prática, levo a entreajuda entre colegas, o companheirismo e todas as noites mal dormidas passadas em conjunto com os meus colegas. De todos os momentos passados fora das aulas, que foram a maioria, guardo as saídas em amigos e as grandes amizades que criei. 

Qual foi a melhor parte do seu curso? E a mais desafiante?
Dos 5 anos que passei no Técnico, o período que considero mais desafiante, foi o inicial. Senti uma diferença muito grande entre o ensino secundário e o ensino superior: mais alunos; salas enormes; muitos livros para estudar. Contudo, à medida que o tempo foi passando, seguiu-se o meu melhor período no IST, onde consegui atingir um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e desfrutar do ambiente que o Técnico proporciona.

No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?
No Mestrado em Engenharia Eletrotécnica e Computadores tive inúmeros professores que me inspiraram. No entanto, para além dos meus orientadores do projeto final de curso, gostaria de destacar os professores João Pimentel NunesAleksandar Ilic e Nuno Roma, que me ajudaram a conseguir a bolsa Fulbright que permitiu estudar nos EUA.

Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Na parte final do meu Mestrado, recebi uma bolsa da Fulbright que me permitiu cumprir um sonho e passar um semestre nos EUA. Posteriormente a ter regressado a Portugal, iniciei o meu trabalho na Microsoft Portugal. Fui muito bem recebido, num ambiente empresarial fenomenal onde tenho vindo a aprender bastante. Ao longo dos últimos meses, tive a oportunidade de ouvir e conhecer pessoas inspiradoras, como o GM da Microsoft Portugal, Andres Ortolá, que quer, tal como eu, tornar Portugal numa referência tecnológica europeia.

Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?  
Penso que a decisão mais difícil que tive de tomar, durante os meus 5 anos de curso, foi ter ido estudar sozinho para os EUA. 
Desde o dia que fiquei a conhecer as bolsas Fulbright, que me permitiriam estudar numa faculdade americana, que não consegui pensar em mais nada. 
Tenho de admitir que, foi difícil deixar a minha família e amigos em Portugal e ir atrás de um sonho sozinho. A acrescentar a isto, nos EUA não existe um programa Erasmus, que facilita a integração de alunos internacionais, pelo que tive de me desenrascar sozinho. 
Contudo, tanto a equipa da Fulbright, como os meus amigos, portugueses e internacionais, ajudaram-me a ter a melhor experiência possível, pelo que, hoje, posso dizer que a decisão mais difícil que tomei até hoje acabou por ser uma das melhores de todas. 

Como é que entrou na área profissional em que está agora?
A minha paixão sempre foi a tecnologia e sempre fui orgulhosamente intitulado de "geek" e por isso quando estava no mestrado sabia que lidar com software seria uma inevitabilidade para mim.
O Técnico teve um papel fulcral na minha integração na vida profissional, uma vez que me permitiu ter a oportunidade de participar no programa Técnico Alumni Mentoring Program 2022 e conhecer o meu mentor, Pedro Afonso, que me ajudou a perceber quais seriam os melhores percursos profissionais. Foi em conjunto com ele que decidi que integrar a equipa da Microsoft Portugal seria a melhor opção profissional para mim. Foi, sem dúvida, a melhor decisão que tomei. Particularmente em períodos desafiantes como o que vivemos, a tecnologia é uma força desinflacionadora numa economia inflacionada e tem o potencial para alterar todos os aspectos da nossa vida. Para mim era muito importante estar numa organização na qual o meu trabalho pudesse ter um papel transformador em múltiplas vertentes da vida das pessoas.  

Que conselhos daria aos estudantes do ensino secundário que estão a pensar em estudar STEM, particularmente no Técnico?
Acho que as primeiras palavras que me surgem são determinação e curiosidade, que considero serem características inerentes a todos os engenheiros. 
O Técnico é a maior escola de engenharia de Portugal e uma referência internacional, pelo que é normal ter receio no ínicio. Contudo, depois do medo vem a determinação e curiosidade em procurar e querer descobrir mais, que é o que está na base do sucesso de todas as pessoas que querem estudar engenharia no IST. Adicionalmente, sugeria que tirassem partido de eventos como o Building the Future – que regressa em Janeiro de 2022 – para fazerem uma imersão em tecnologia e para se deixarem inspirar e conquistar. A edição deste ano é de acesso gratuito, pelo que quem quiser basta ir ao site e registar-se

Que conselhos daria aos estudantes atuais?
O meu único conselho é que confiem em vocês próprios e não percam a determinação que vos trouxe até aqui. Não se conformem com o "bom", tentem sempre alcançar cada vez mais!