10 perguntas a João Penha-Lopes

Publicado em February 7, 2023

João Carlos Lapa Penha-Lopes tem 67 anos tendo começado a trabalhar como engenheiro, saído fresquinho do IST, aos 22, estando ainda 100% ativo na profissão. O seu curso de Eletrotecnia (correntes fracas/telecomunicações) permitiram-lhe desenvolver trabalhos nas áreas de HF (cálculos de propagação ionosférica), Microondas portáteis (cálculos para implementações em situações de emergência), Fibras Óticas (técnicas de fusão de fibras monomodo e multimodo) e testes de medidas, Testes remotos a linhas de telefone ainda analógicas, projeto e instalação de instalações de televisão, projeto e instalação de soluções informáticas para automatização de processos baseados em documentos digitais....e muito aprendizado nestas e em áreas adjacentes.

Marido com veleidades de ganhar um Emmy familiar, e pai orgulhoso de 4 filhos, dois rapazes e duas raparigas, estando o mais novo a seguir as pisadas do pai no IST, também em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores. Velejador por paixão, amante da natureza e sempre com uma curiosidade excessiva relativamente a temas STEM, que considera fascinantes, independentemente, da área ou da época do mundo em que ocorreram.

Como foi estudar no Técnico?
Estudar no IST, naquele tempo (1975-1979) era um misto de excitação entre a efervescência politica estudantil e o fascínio de aprender engenharia eletrotécnica (telecomunicações) que foi o meu curso de eleição.
Depois de um Liceu Camões onde tudo estava organizado para os alunos, o simples facto de termos de construir os nossos horários era um dos tipos de dificuldades inesperadas. Aos livros disponíveis no mercado (poucos) podíamos juntar brilhantes sebentas preparadas por alguns professores, além do que era possível recolher em apontamentos nas aulas.
A minha geração já foi a primeira que não lidou com as réguas de cálculo (hoje um hobby apaixonante meu com a surpresa que outros países as estão a reintroduzir a sua utilização, até para quadros de gestão, como exercício para desenvolver os músculos do cérebro) . Estávamos naquele hiato entre as réguas de cálculo e os computadores à séria. O que nos ia safando eram as celebérrimas máquinas de calcular, nomeadamente as Texas TI-58, programáveis, mas que uma vez desligadas os programas iam à vida; a versão TI-59 já guardava os programas mas o seu custo estava acima do orçamento familiar.
Assim, eu tinha um problema derivado da minha obsessão por não perder tempo, e comecei a olhar de soslaio para o computador do técnico -  um IBM 360 (ainda Tape Operated System), para o qual eu orgulhosamente fui à IBM na Praça de Alvalade, comprar uma tape que era montada para eu correr os meus programas ficando estes lá gravados. Não era obrigatório o uso do computador, mas eu decidi ir por aí. 
Dificuldade acrescida: as fórmulas dos vários tipos de cálculos, com integrais, derivadas, etc, normalmente resolvidas em papel, tinham de ser transformadas para a única linguagem de programação que nos ensinaram: o Fortan (abençoado). Para tal, foi necessário aprender métodos numéricos para a transferência para Fortran, além de ter de deduzir como se imprimiam (todo o output era em papel) gráficos, tabelas, etc. 
Se adicionarmos a isto que todo o input de código era feito por cartões perfurados, e o output em papel (na melhor das hipóteses) só saía 30 minutos depois (muitas vezes só para assinalar um erro de falta de uma vírgula no código), será escusado referir as inúmeras noites, fins de semana e «férias»  de Agosto em que passei a fazer romarias do Campo Pequeno, onde morava, para o IST, pela porta pequenina existente na rua Alves Redol por detrás do Complexo Interdisciplinar, ao tempo moderníssimo, e era uma honra lá entrar.
O facto dos programas terem que ser feitos "à mão " a partir das fórmulas, deu-me uma perceção muito prática e real dos resultados ao alterar certos parâmetros nas fórmulas.
Fiz o meu ano de estágio nas Comunicações da TAP durante o 5º ano. Sempre fui um aluno médio mas sempre apreciei genuinamente tudo o que aprendi pois sabia que me serviria de muito, qualquer que fosse a área em que me viesse a especializar profissionalmente -  e elas foram de facto muitas e diferentes.

Qual foi a melhor parte do seu curso? E a mais desafiante?
Os 4º e 5º anos nas áreas das telecomunicações foram os mais apaixonantes: Planos de comunicação em onda curta, hiperfrequências, antenas, fibras óticas. Todas estas áreas são diferentes nos conceitos e formas de planeamento e o IST forneceu-me o conhecimento relevante para, quando fosse necessário (e veio a sê-lo), aprofundá-lo ao nível necessário nas teorias e técnicas associadas.

No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?
Tive três professores que me marcaram profundamente. Vou citá-los por ordem de impacto.
José Manuel Fonseca de Moura
Disciplina opcional do 5º ano com o nome «Teoria dos Sistemas». Pura análise matemática, baseada em matrizes, para avaliação do comportamento de sistemas como viaturas em autoestradas, líquidos em canos, etc. Aulas de 3h em que o professor, ao tempo com 30 e poucos anos, entrava na sala sem um único papel nas mãos e as aulas passavam como se durassem 5 minutos. Tudo era claro e cristalino.....às vezes as questões colocavam-se em casa...." oh pá como é que ele justificou isto?!?".
Hoje reconheço que era preciso saber muito do que se ensinava para poder ter aquela capacidade de passagem de conhecimento.
Manuel José Abreu Faro
Nunca me esqueci de uma situação que aconteceu numa aula de um dos auditórios do edifício principal. Aula cheia, demonstração das equações de Maxwell. O Prof Abreu Faro vestido, como habitualmente a rigor de fato completo, a fazer as demonstrações no quadro negro.
Ao fundo da sala ouve-se um desabafo alto "Oh Professor isso é muito difícil". O Professor Abreu Faro virou-se para a plateia, com um ar de eterna benevolência, e disse uma frase que eu tenho repetido a todos os que trabalharam comigo ao longo da vida, inclusive aos meus filhos:
"Meus senhores, na vida não há coisas fáceis nem coisas difíceis; o que há são coisas que se sabem e coisas que não se sabem"
Sorriu, voltou-se para o quadro e continuou a sua demo.
José Delgado Domingos
Foi este professor que me envolveu no estudo sobre o aproveitamento da energia solar, ao tempo para aquecimento de água. O que mais me impressionou foi o facto dele ser claramente um grande especialista e estar a trabalhar numa «barraca» de madeira no canto NW do recinto do IST no meio de couves e árvores. Para ele, o que interessava era o conhecimento e os meios de o testar: tudo o resto era-lhe absolutamente secundário, nomeadamente a pomposidade ou não, do local de trabalho.

Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Fui suficientemente afortunado para que o meu percurso profissional de engenheiro tivesse acompanhado as minhas preferências das cadeiras preferidas.
Comecei pelo grupo Pinto Bastos onde trabalhei em projetos de telecomunicações para os militares, nomeadamente ao permitir ganhar um concurso internacional para 10 emissores de onda curta de 10kW cada, para a Marinha Portuguesa, pela simples razão que fomos quem apresentou os melhores cálculos de propagação ionosférica para os locais de destino pretendidos...eu vinha fresquinho do IST(!)
Ainda nesta empresa importei os primeiros feixes portáteis de micro-ondas para situações de emergência na altura dos CTT e dos TLP. Devido a essa experiência fui abordado pelos CTT para ser seu funcionário, para gerir esses testes na estação de Barcarena. Confesso que só me aguentei lá 4 meses devido ao peso da burocracia da Administração Pública .
Fui então convidado a juntar-me ao grupo inglês Cable & Wireless em Portugal. Nessa altura as fibras óticas estavam a chegar a Portugal e eu fiz parte do 1º grupo que teve uma formação específica na Universidade de Aveiro, sendo o único elemento privado, pois todos os outros pertenciam aos CTT, TLP e Radio Marconi. Fui o importador de uma máquina de fusão de fibras que, ainda hoje é a mais utilizada por todos os operadores. Especializei-me ainda no equipamento de medida associado a fibras óticas.
Nesta empresa arranquei com um departamento de venda de equipamento de video/televisão profissional para a maioria das produtoras privadas, nomeadamente a que fez a primeira telenovela em Portugal. O primeiro sistema de gestão eletrónica de notícias da RTP foi vendido e instalado pelo departamento que eu chefiava.
No entretanto e como hobby, fiz os cálculos de cobertura para algumas estações candidatas a emissoras de FM, documentação obrigatória para as candidaturas. As estações com que colaborei foram todas aprovadas. Por curiosidade ainda foi a TI-58 que usei para os cálculos.
Após anos, sem sucesso, de tentar vender equipamento à Rádio Renascença, recebo um convite do seu Presidente, ao tempo, o Eng.º Magalhães Crespo, para almoçar. A RR tinha emitido um caderno de encargos para um conjunto de equipamento de estúdio de televisão, caderno de encargos esse que, para mim, não fazia sentido e na minha carta de justificação por não enviar nenhuma proposta, elaborei sobre os motivos.
O objetivo do almoço do Eng.º Magalhães Crespo era convidar-me para Diretor Técnico e responsável pelo projeto do que viria a ser a TVI. Estávamos em 1991. 
Sem saber qual seria o meu próximo passo, respondi «SIM» de peito cheio.
Ele perguntou-me: "vamos subcontratar um fabricante e alinhamos no analógico, que nos tem sido recomendado, ou fazemos nós?" Ao que eu respondi "Sr. Engenheiro, fazemos nós e vamos fazer digital" pois eu queria ir para a via digital e os fabricantes tradicionais de equipamento ainda estavam fortemente ancorados no analógico. Tive a total e incondicional confiança dele, pelo que ainda hoje lhe estou grato, e que se provou ser uma confiança de sucesso.
A TVI foi para o ar a 20 de Fevereiro de 1993 e era uma estação onde só circulavam sinais digitais de vídeo (por componentes) e de áudio digitais. Os únicos equipamentos que, na época, ainda não existiam em formato digital eram os gravadores de vídeo e as câmaras, para os quais tínhamos os conversores necessários. A TVI foi uma das pioneiras nas apresentações à Europa do formato 16x9 cujos testes foi uma das primeiras estações a desenvolver. Inclusivamente comprámos uma carrinha Renault (B110) e construímos o primeiro carro de exteriores completamente digital, equipado com meios de transmissão por micro-ondas.
Fui o responsável pela contratação dos técnicos que além de meia dúzia de especialistas nas várias áreas de mercado, todos eles bons amigos, sendo apenas um deles da RTP, eram jovens de primeiro emprego onde tive o cuidado de garantir uma percentagem mínima de 30% de raparigas.
A Direção Técnica tinha de interagir em profundidade com a Programação, Informação, Marketing e Rede de Distribuição e tal implicava o desenho de vários processos sistemáticos de interação de forma a que tudo fosse o mais eficaz possível. Foi este projeto que me deu o grau de Sénior na OE (17.151)
A partir do momento em que a TVI estava em velocidade de cruzeiro, pelo ano de 1998, saí para fazer a minha própria empresa dedicada a automatismos de processos administrativos com base em documentos digitais. A empresa chamava-se RGPS (Reengenharia de Processos e Software), um nome que se veio a provar muito complicado para o mercado. Com a colaboração de uma jovem empresa de marketing o nome que nos foi sugerido (e aparentemente pela primeira vez não apresentavam opções ao cliente) foi CleverTime - considerando que o que fazíamos era a eliminação dos tempos mortos, o que vendíamos era, de facto, "tempo inteligente". Ficou esse nome até hoje: CleverTime-Consulting.

Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
A minha especialidade, ao gerir a CleverTime-Consulting é analisar os processos administrativos de PMEs a empresas multinacionais, e automatizar esses processos de forma a que os intervenientes possam desempenhar cabalmente as funções para as quais foram contratados, com um mínimo de carga de trabalho, a partir de qualquer lado e com qualquer tipo de equipamento. A grande dificuldade é saber distinguir o que o cliente diz que «quer» daquilo que ele, realmente, «necessita». 
É uma área fascinante pois não há dois clientes com as mesmas necessidades, nem de operação nem de integração com vários outros sistemas existentes, nem com a mesma cultura empresarial. Acrescentei à minha Engenharia conhecimentos de RH e até…de flexibilização política.
O prazer com que lido com estes temas levou-me a fazer, por mero prazer pessoal, um doutoramento em 2013 na Universidade de Alcalá de Henares, em Madrid, precisamente sobre os benefícios económicos da Gestão Eletrónica de Processos.

Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?
Na área profissional tive de tomar várias decisões difíceis, desde despedimento de pessoas muito válidas por motivos totalmente alheios ao seu profissionalismo e dedicação até decisões técnicas quando ainda se seguiam rotas por áreas não cartografadas. Mas talvez a decisão mais difícil tenha sido quando eu já estava envolvido, apenas como potencial fornecedor das futuras televisões privadas (TCI e SIC) sem ainda ter iniciado o relacionamento assumido, como referido anteriormente, com a TVI.
Fui convidado para almoçar pelo Presidente, e seu braço direito, de um grande grupo português que tinha a representação exclusiva de um grupo gigantesco japonês que fabricava de tudo, desde material eletrónico de escritório até todo o tipo de equipamentos de televisão.
O objetivo do almoço foi convidar-me a ser sócio da empresa pois interessava-lhe ter alguém conhecedor a vender aos potenciais candidatos das licenças de TV todo o equipamento.
Respondi parafraseando, jocosamente, uma frase de um avô meu "meias, só para os pés" e acrescentei que preferia ser um assalariado bem pago do que um mero sócio minoritário. A resposta deles deixou-me sem ar, "Mas quem falou em ser um sócio minoritário? Propomos 50% da empresa e o Sr. Eng.º nem tem de entrar com dinheiro, apenas com o seu conhecimento e contactos".
Decidi-me pelo projeto de engenharia que a TVI me propunha. Nunca me arrependi da decisão. A TVI foi um projeto de vida quer na vertente tecnológica, quer na vertente de RH, quer na vertente organizacional.

Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira?
Bom, esta é a questão que desafia todas as carreiras, mas, de facto no caso da engenharia tem uma tonalidade mais acentuada, talvez porque seja uma área mais desconhecida junto de empresas mais conservadoras. 
- A gestão das empresas tende a confiar mais cegamente no branding dos fornecedores mais conhecidos do que avaliar objetivamente o valor acrescentado que esses fornecedores podem aportar à organização.
- Para qualquer salto para a frente é preciso investir. Normalmente esse investimento é considerado um custo, negligenciando-se os reais custos pelo simples facto das coisas não mudarem num mundo em que a mudança, nomeadamente a tecnológica é a única constante.
- Nas empresas, normalmente nas de alguma dimensão, o real dono do dinheiro não costuma estar presente e se ele deu instruções do tipo "este ano está mau, por isso o investimento é zero", quem vai ser o seu subalterno que se vai atrever a investir, mesmo que tal investimento reduza custos à organização? Mesmo quando a C-Suite diz, "compremos o mais barato" normalmente segue-se tal instrução à letra, quando o que interessa não é o valor do custo inicial, mas o TOC (Total Cost of Ownership) cuja abrangência vai muito além do produto ou serviço em questão.
- O abuso dos termos é algo verdadeiramente preocupante. Há uns meses estava na porta principal de uma grande loja de artigos eletrónicos de um conhecido centro comercial um caixote com um scanner em cima. O placard associado dizia: "Preço €30" (sim, trinta Euros) e por baixo tinha outro placard que dizia "com a compra deste scanner oferecemos o software de Gestão Eletrónica de Documentos".
- Mas, independente da área de engenharia onde já me vi envolvido, encontrei sempre o verdadeiro inimigo do conhecimento. O verdadeiro inimigo do conhecimento NÃO é a ignorância, mas sim a ilusão do conhecimento. Nessas situações é quase uma luta inglória, a menos que tenhamos como aliado um elemento de grande poder.
- Outro grande desafio tem a ver com a informação atualizada. Não é nada difícil obter informação profunda e detalhada sobre qualquer tema, com maioria de razão hoje em dia com a Internet. A grande dificuldade reside em como organizar essa informação de forma a que ela esteja acessível, de imediato, na altura em que precisamos dela. Devo confessar que foi a parte mais difícil do meu doutoramento. Logo no início decidir-me como me ia organizar para aceder, de forma eficaz, às toneladas de informação que já tinha para elaborar o texto da tese. Estive quase um ano para chegar a uma solução satisfatória.
Eu diria que não é a carreira que coloca desafios, mas sim o contexto atual da dinâmica das empresas, grandes ou pequenas, que esperam que tudo se resolva de imediato graças à tecnologia, mas discutiremos o tema mais adiante.

Quais são os seus planos para o futuro?
Os meus planos para o futuro são os mesmo que tenho tido até agora. Ampliar conhecimento, preferencialmente conhecimento que beneficie a vida das organizações, o que se deveria refletir na vida dos cidadãos. O problema é que quanto mais se aprende, mais se tem consciência do pouco que sabemos e mais queremos aprender.
Hoje em dia dedico-me a entender os temas ao nível da visão de pássaro e a deduzir como esses temas podem beneficiar a vida dos que por cá lutam no seu dia-a-dia. Naturalmente que da visão de pássaro à efetivação do trabalho há um zilião de detalhes que têm de ser revistos e manipulados por especialistas de diversas áreas. Eu não quero ter os seus conhecimentos detalhados dessas especialidades, mas pretendo ter os suficientes para perceber a lógica e valor das soluções que me apresentam.
Tenho feito análise de processos desde a nossa Presidência da República até a grandes consultoras multinacionais para clientes deles e pretendo continuar a dedicar-me a este nível fascinante de organizações.
Gosto de partilhar com todos aquilo que sei, ou que julgo saber, através de textos publicados em revistas, seja seja no próprio LinkedIN, seja em conferências ou seja como coautor de livros editados por organizações supranacionais.
Acredito que o sucesso da humanidade no geral, mas das organizações, em particular, não está na competição mas na colaboração; tenho todavia perfeita consciência da utopia, presente, que este raciocínio encerra. É a minha gota de água de colaboração; mas sem esta gota de água o oceano não seria tão grande. 

Que conselhos daria aos estudantes atuais?
Esta resposta é muito difícil face aos preconceitos fortemente implementados nos jovens de hoje e tenho uma base de quatro filhos, dos 40 aos 20 (biólogo, artes cénicas, osteopata e 2º ano IST Eletrotécnica) com quem discuto as minhas ideias. Referi acima que o maior inimigo do conhecimento não é a ignorância mas sim a ilusão do conhecimento e hoje as redes sociais, (imprescindíveis para o avanço de todos nós) têm a tendência de fazer crer que tudo o que lá é exposto é a verdade escrita em pedra; são dogmas não discutíveis com maioria de razão se postados pelos «influencers» ao tempo.
Tudo é questionável (John Nash que, com a sua tese de doutoramento, destruiu 150 anos de políticas económicas) e tudo é questionável através da IN (Inteligência Natural). Nada de más interpretações! Eu sou um fã da IA (Inteligência Artificial) que permite, por exemplo, analisar volumes de dados inimagináveis em tempos ínfimos fornecendo à IN pistas de raciocínio e descobertas muito mais amplas.
Saber-se para onde se quer ir e porquê. Qual é a pergunta profissional que nos atormenta? Seguir no caminho que nos leva à resposta. Caminho sempre tortuoso e longo. Mais do que tudo, considerar sempre a tecnologia como uma ferramenta que nos liberta tempo para utilizarmos a nossa IN em pleno e não como um guia a seguir cegamente. A tecnologia hoje é esta, amanhã será outra, mas os conceitos das melhores práticas, melhores princípios e melhor qualidade de vida manter-se-ão constantes.

Que conselhos daria às raparigas que estão a pensar em estudar STEM, particularmente no Técnico?
Esta questão é deveras intrigante. Porque  é que eu deveria dar conselhos às raparigas diferentes dos que dou ao conjunto unissexuado dos candidatos ao IST, que tiveram de se dedicar, naturalmente, ao STEM?
A minha função enquanto alumni do IST é passar o entusiasmo que tenho sobre a forma como o IST moldou a minha forma de pensar, aprofundar e raciocinar sobre os problemas técnicos da engenharia. Não tenho competências para mitigar eventuais complexos de inferioridade de raparigas face ao STEM, ou face a outros quaisquer problemas que possam ter apenas derivados do facto de serem raparigas, numa área de engenharia.
A capacidade das cabeças delas são iguais às deles e até com uma ligeira vantagem relativa à capacidade de foco, pelo menos em termos gerais.
Recomendo, assim, a leitura do grupo anterior acrescido do que os especialistas internacionais aconselham