10 perguntas a Nuno Tavares

Published on March 24, 2023

Nuno Tavares, licenciou-se em Engenharia Electrotécnica e de Computadores em 1999.
“Era uma vez um engenheiro que se tornou empreendedor, e depois realizador de cinema, e depois investidor, e depois empreendedor social, e depois…o que a vida lhe trouxer, com prazer!”

Porquê o Técnico?
Desde sempre que o Técnico é uma referência no nosso país para quem deseja frequentar um curso superior de Engenharia. Sendo Açoriano e com o desejo de basear o meu futuro em Lisboa, foi também determinante a sua localização. Mas acima de tudo o facto de ser uma universidade que prepara muito bem os futuros profissionais na Engenharia.

Pode falar-nos um pouco dos seus estudos no Técnico?
O meu primeiro contacto com o Técnico, foi como aluno do curso de Engenharia Física Tecnológica. Não correu bem, não me identifiquei com este curso em todas as suas vertentes e como tal, escolhi outro curso, desta vez acertadamente: o curso de Engenharia Electrotécnica e de Computadores. Esta decisão fez com que atrasasse um ano académico, o que me criou grandes hesitações para um aluno que tinha um percurso muito linear e sem obstáculos até então, mas… adquiri com esta experiência, algo determinante para o futuro da minha vida: perdi logo ali, numa fase precoce da minha vida, o medo da mudança! Adquiri o gosto por estar em “zonas de desconforto” provocadas pelas mudanças de vida e, o desejo de aprender diversas áreas de actividade. Algo que levei comigo até hoje. A frequência do curso de LEEC, correu muito bem, sendo que fui um aluno muito mais dedicado às aulas prácticas e laboratoriais do que às teóricas, pois optei por um método de auto-estudo. Outra ferramenta que me acompanhou ao longo da vida. E no fundo, julgo ser isto que as universidades nos trazem, mais do que o conhecimento: as ferramentas para ultrapassar obstáculos na vida, a começar pela capacidade de análise e reflexão sobre um problema.

O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Além do contexto que referi em cima (ferramentas de resolução e capacidade de mudança) isto sobretudo a nível profissional, sem dúvida que o mais importante que me trouxe, foi fora das aulas e foi o facto de ter conhecido aquela que é hoje a minha mulher, que era colega no meu curso. Iniciámos o nosso namoro no segundo ano do curso. Bem sei que o Técnico não está muito associado a “romantismo”, mas desculpem, assim foi na minha vida 😊

Qual é a sua melhor recordação do Técnico?
Depois da resposta acima, acho que esta será óbvia 😊

Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Quando terminei o Técnico, em 1999, estava já comprometido com a Portugal Telecom (PT), num projecto de recrutamento especial que eles desenvolveram naquele ano, denominado “Jovens de Elevado Potencial (JEP)”. Embora fosse uma empresa, à partida, com menos “élan” internacional que várias outras opções multinacionais, optei pela Portugal Telecom, por aquilo que este projecto especial oferecia em termos de desenvolvimento de carreira. Lá, quis o destino que estivesse envolvido na implementação no terreno da internet de Banda Larga, denominado ADSL. Especializei-me nesta tecnologia, que me valorizou profissionalmente e, inserido naquele projecto “JEP”, tive acesso a uma visibilidade fora do normal para um jovem recém-licenciado, junto dos quadros superiores. Tive um bonito percurso na PT, donde guardo as melhores recordações, mas posteriormente fui contratado pela ONI Telecom, mantendo a mesma área de especialização e, tendo sido esta a minha última etapa no trabalho por conta d’outrem. Após a Oni, em 2003, tornei-me um empreendedor, fundando uma empresa na área de turismo e que fará 20 anos agora (“core business” nada relacionado, mas sempre encarei o meu tipo de gestão muito associado ao facto de ser Engenheiro, ou seja, trouxe a minha “vida anterior” para esta nova realidade).

Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Além da gestão da minha empresa de turismo, algures no tempo, quis adicionar mais conhecimento (e prazer) na minha vida. Nos anos mais recentes, realizei o filme “A Alma de um Ciclista” que, com muito agrado, foi entretanto seleccionado para 38 festivais de cinema internacionais e ganhou 7 prémios de melhor filme e 3 menções honrosas. A distribuição deste filme ainda ocupa parte do meu tempo no presente. Adicionalmente, ganhei conhecimento em investimentos em mercados financeiros, algo que aprecio porque aprendo imenso (ao estudar outras empresas, principalmente em mercados mais desenvolvidos como é o caso dos EUA) e percebo que aquilo que estou a ler hoje, será notícia daqui a 3, 5 ou 10 anos! Esta é a parte que mais me agrada nesta área. Por fim, o que mais me apaixona no presente, diz respeito a um projecto de empreendedorismo social, onde espero atingir resultados bem concretos e impactantes no público alvo.

Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?  
Como referido atrás, curiosamente foi a decisão da mudança de curso. Não que fosse a mais importante de todas as decisões de mudança de vida que tive ao longo dos tempos, mas porque foi a primeira vez com que fui confrontado com a divergência de caminhos com que podemos optar. E ainda bem que aconteceu tão cedo, pois deu-me racionalidade para gerir a emoção, com que tento seguir a minha vida.

Quais são os seus planos para o futuro?
Pode parecer pouco importante mas é o MAIS importante: envelhecer com saúde, através da prática de exercício físico, boa alimentação, evitar stress e ter uma genuína socialização (e não me refiro a “networking” mas rodear-nos das pessoas que realmente nos são muito queridas). Estas são as minhas prioridades na vida, neste momento e para o futuro. Mas presumo que esta questão se refira ao contexto profissional e nesse campo, tenciono fazer mais cinema, mais artes, mais investimentos além de manter o bom funcionamento da minha empresa de turismo, ao mesmo tempo que faço crescer o projecto de empreendedorismo social que referi e que será o meu principal foco no futuro próximo. Mais lá para a frente, gostaria ainda de ser um agricultor 😊 (preferencialmente hi-tech, i.e. uma agricultura do futuro, associando a tecnologia em harmonia com o ambiente)…

Que conselhos daria aos estudantes atuais?
Não tenham medo de errar nas vossas escolhas e decisões. Estão sempre a tempo de mudar de vida, e nunca é tarde. Penso que o meu caminho, pelo menos prova que tal é possível. Evitem apenas as precipitações em cada decisão. Pensem bem e analiticamente (o Técnico ensina-vos bem isso) nos prós e contras (e um pró na “balança” pode ser algo tão simples como a vossa felicidade, sendo este até o mais importante). Mas assim que decidam o que fazer, não hesitem um segundo e dêem tudo o que conseguirem para atingir aquilo a que se propõem.

Tem uma citação ou frase favorita?
Várias…mas neste contexto de que estamos a falar, citaria “Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás de trabalhar nem um dia na tua vida.” (Confúcio)