10 perguntas a Margarida Melo

Published on January 20, 2023

Margarida Melo tem 46 anos, licenciou-se em Engenharia e Gestão Industrial no ramo de Produção (pré-Bolonha), no Técnico. É natural de Ponta Delgada, por isso uma açoriana de gema com muito orgulho. É casada e tem 2 filhos.
Começou a sua carreira profissional na Autoeuropa. Após 3 anos entrou na Nestlé e trabalhou em Portugal, Espanha e Inglaterra. Atualmente, na Suíça, é responsável pela Logística da Nestlé Zona Europa.
Gosta de novas experiências e desafios e considera que fazê-lo em família é ainda melhor. A oportunidade de trabalhar em diferentes países deu-lhe essa possibilidade e o futuro logo lhe dirá como irá continuar a aventura.

Porquê o Técnico?
Principalmente por ter renome como a melhor Universidade de Engenharia em Portugal com qualidade e rigor no ensino.

Pode falar-nos um pouco dos seus estudos no Técnico?
Estudei Engenharia e Gestão Industrial, ramo de Produção. Acho que o primeiro ano foi sem dúvida o mais difícil! A adaptação a uma nova realidade de viver fora de casa e a uma nova cidade, bem como um ritmo de ensino desafiante. Lembro-me que na primeira aula de Análise Matemática I fizemos a revisão em 1h de tudo o que tinha aprendido em Matemática até à altura. Outro desafio interessante foi ter professores que lecionam as aulas em inglês e por vezes não percebia tudo o que nos diziam mas consegui com ajuda dos colegas e com muitas sebentas perceber o mais importante da matéria. Gostei muito de uma maneira geral dos professores onde guardo muito boas memórias do apoio que nos deram durante todo o curso. O estudo durante os 5 anos foi muito feito com os colegas onde nos apoiamos mutuamente a tirar dúvidas. Longas horas passámos no Técnico a estudar para a época de exames.

Como foi estudar no Técnico?
Tenho ótimas recordações do Técnico, fiz amizades para a vida e aprendi imenso em diferentes áreas desde gestão, mecânica a matemática e física. Em muitas aulas generalistas a representação das mulheres era minoritária, cerca de 10%, no entanto nunca me senti inibida de me expressar e sempre me senti incluída por todos. Nunca me esqueço da piada! Se vens para o Técnico ou és homem ou tens bigode!

Em que atividades extra-curriculares esteve envolvida?
No 2º ano do Técnico comecei à procura de oportunidades para trabalhar e ganhar alguma experiência fora do meu dia a dia do curso. Tive imensa sorte pois soube através de colegas que existiam vagas para trabalhar no Gabinete de Estudos e Planeamento do Técnico. O GEP, na altura liderado pelo Pedro Oliveira e Manuel Heitor. Fui à entrevista e fiquei a trabalhar com a equipa! Foi uma experiência super rica onde estive a preparar e consolidar informação para o relatório de contas do IST e a aprender como trabalhar num ambiente descontraído mas profissional.

Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Ainda estava no último ano do curso e através da Job Fair do Técnico interessei-me pela AutoEuropa. Como estava no ramo de Produção seria um ótimo match começar a minha carreira profissional num ambiente de Operações. Conhecia outros colegas do meu curso que estavam lá a trabalhar e deram-me ótimas recomendações sobre o ambiente de trabalho e a oportunidade de trabalhar numa indústria muito desenvolvida em termos de tecnologia e processos.
Assim, ainda a finalizar o meu projeto final no 5º ano comecei a trabalhar como Engenheira Industrial na Autoeuropa. Foi um início desafiante pois trabalhava das 7 às 15.30 e trabalhava no meu projeto de final de curso simultaneamente. Entrei num mundo profissional que era semelhante ao Técnico a nível de gender balance e da idade média das pessoas. Parecia a continuação do Técnico mas numa empresa!. A minha primeira função foi de Project Control, preparando Business Cases para as propostas de projetos de investimento das diferentes áreas de produção. Passei depois a fazer parte da equipa de Melhoria Contínua de Engenharia Industrial onde aprendi todas as minhas bases de Lean, TPM, Círculos de qualidade e trabalhava na identificação e implementação de oportunidades nos processos da fábrica. A Autoeuropa foi sem dúvida uma excelente empresa no início do meu percurso profissional, pelos colegas com quem trabalhei mas também pela cultura da empresa.

Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Depois da experiência de trabalho na Autoeuropa surgiu uma oportunidade para integrar a Nestlé em Portugal. Comecei em 2001 na área de Supply Chain. Após ter passado por Espanha e Inglaterra, atualmente estou baseada na Suíça. Sou responsável pela Logística para a Zona Europa. As principais áreas de enfoque são Serviço, Custo e Sustentabilidade.  Entre as minhas principais funções estão o desenvolvimento e implementação da estratégia para a rede Logística dos Armazéns  (onde se incluem serviços de valor acrescentado de customização e repacking). Ao mesmo tempo, para toda a rede Logística identifico onde e como podemos implementar Automação. Para isso trabalhamos com vários fornecedores onde fazemos pilotos em mercados para se testar o conceito-tecnologia que depois de validado segue para o deployment e scale up em toda a Europa. Desenvolvo também um programa para todos os Centros Logísticos da Nestlé de melhoria contínua onde identificam-se melhorias de processos, redução de custos e impacto ambiental.

Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?  
Talvez a decisão mais difícil até hoje foi a de sair de Portugal e levar a família, o marido e dois filhos para Inglaterra. Deixar a restante família e amigos bem como todo o conforto que tínhamos em Portugal. Foi um risco de alguma forma medido pois eu tinha trabalho, no entanto, o meu marido despediu-se do seu trabalho para começar de novo e os meus filhos começaram numa escola inglesa com 6 e 9 anos sem praticamente conseguirem falar inglês. Apesar de todos esses desafios acho que hoje estamos muito felizes com essa decisão.

Que conselhos daria aos estudantes atuais?
O meu melhor conselho é o de aproveitarem o curso para aprenderem mas também para se divertirem. Acho que é muito importante conciliar as duas realidades.

Que conselhos daria às raparigas que estão a pensar em estudar STEM, particularmente no Técnico?
Acho que o Técnico tem um ambiente muito saudável onde cada pessoa tem o seu lugar e pode ser autêntico sem ser julgado. Na minha altura ainda me lembro de estar na fila do bar de Civil e de haver sempre um gentleman que me dava o primeiro lugar pois todos os outros eram rapazes! Se calhar hoje já não é bem assim, mas nunca me vou esquecer dessas atitudes. A excelente qualidade dos professores no Técnico é sem dúvida outro fator a ter em consideração pois faz toda a diferença quando se tem professores que nos inspiram,  desafiam a pensar e a querer saber mais. Entrar em contacto com alunos e professores bem como procurar informação no site do Técnico pode ajudar a perceber mais sobre a experiência de diferentes pessoas e o que podem esperar do curso e da Universidade.

Tem uma citação ou frase favorita?
Uma das minhas favoritas: “Success is no accident. It is hard work, perseverance, learning, studying, sacrifice and most of all, love of what you are doing or learning to do.”