10 perguntas a José Figueiredo

Publicado em June 2, 2023

José Figueiredo é um empreendedor actualmente a lançar a empresa Data4Deals que utiliza os dados e canais bancários para fazer promoção de produtos não financeiros. Anteriormente montou o ComparaJá.pt o maior comparador de crédito, seguros, telecomunicações e energia, do país.
Anteriormente foi administrador da Mota Ceramics Solutions pela Oxy Capital e consultor na Boston Consulting Group.
É engenheiro de Gestão Industrial pelo Instituto Superior Técnico (2007) e MBA pela Harvard Business School (2012).

Porquê o Técnico?
Na minha família quase todos os homens estudaram no técnico, somos muitos engenheiros de várias especialidades. O meu pai era o que tinha estudado há mais tempo, começou o Técnico nos anos 50. Todos são muito orgulhosos de lá ter estudado, e todos são engenheiros de profissão e vida – não só trabalham como engenheiros, mas também estão sempre interessadíssimos em todos os temas técnicos que circundam a vida. 
Assim, para mim, que sempre gostei de ciências exatas, o IST sempre me apareceu como a hipótese óbvia. Contudo, no momento de escolher o curso, hesitei em seguir para gestão ou economia, em vez de engenharia. Mas, por essa altura, o meu pai falou-me num curso que tinha sido recentemente criado de Engenharia e Gestão Industrial – a fusão da Engenharia com a Gestão – o que facilitou muito a minha escolha!

O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Sem dúvida que os amigos que fiz no técnico são aquilo que de mais valor levei dos tempos da universidade. Mas há sem dúvida, um sem número de coisas que me entraram no ADN e que têm um valor incalculável, o saber pensar, o saber aprender, compreender que o esforço compensa, o valor do trabalho em equipa, a necessidade de tratar os problemas de forma sistemática e analítica, a capacidade de subdividir os desafios, e tantas outras coisas. Sem elas não seria o que sou, nem profissionalmente, nem na relação com as pessoas à minha volta, nem tão pouco no envolvimento que procuro ter na sociedade e nas causas a que me dedico.

Qual foi a melhor parte do seu curso? E a mais desafiante?
As cadeiras de matemática, física e programação. Sempre gostei de ciências puras, e estas cadeiras permitiram aprofundar este gosto e desenvolver capacidades analíticas mais profundas e uma certa intuição matemática, que me veio a ser muitíssimo útil em tantos momentos.

Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
No meu penúltimo semestre no Técnico fiz Erasmus em Roma, quando estava lá ligaram-me da consultora BCG. Fiz entrevistas e entrei, gostei muito de lá estar, aprendi muitíssimo, fiz bons amigos, mas ao fim de algum tempo percebi que a minha vocação não era ser consultor. Passado pouco tempo fui para os EUA fazer um MBA. Estudar numa das melhores universidades do mundo, foi uma experiência extraordinária que agradeço todos os dias. Mais uma vez aprendi imenso e fiz muitos amigos. Talvez acima de tudo, o maior ponto positivo tenha sido, o ter confirmado o meu desejo de ser empreendedor, montando coisas inovadoras que ajudem o mundo a dar passos em frente. Desde aí, é o que tenho feito.

Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Estou a montar uma empresa de promoção de produtos não financeiros usando os canais digitais e os dados dos bancos.

Como é que entrou na área profissional em que está agora?
Fui procurando aquilo que me parecia que tinha melhores capacidades para fazer e ao mesmo tempo acrescentava mais valor à sociedade. A certo ponto percebi que montar novas empresas era aquilo que me dava mais gozo e aquilo em que poderia ter mais impacto positivo no mundo.

Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira?
Os maiores desafios da minha vida profissional têm sido três: 1) Descobrir quais os projectos a que vale a pena dedicar o meu tempo; 2) Gerir a ansiedade de resultados e a paciência que é preciso para os alcançar; 3) Dar o máximo, percebendo que a vida é uma maratona – não nos podemos esgotar nos primeiros momentos.

Quais são os seus planos para o futuro?
Continuar a fazer crescer o projeto onde estou! E de resto o futuro a Deus pertence, teremos que ver o que aí virá.

Que conselhos daria aos estudantes atuais?
As universidades são feitas para se estudar. Aproveitem para estudar e aprender muito – sejam bons alunos, a ética de trabalho, a organização, e a vontade de ser muito bom naquilo que se faz, começa nesses anos. Não se deve perder essa oportunidade!
Fazer amigos, ler livros, viajar, e fazer desporto são outros musts!

Tem uma citação ou frase favorita?
“Success is not final, failure is not fatal, it is the courage to continue that counts”, Winston Churchill