10 perguntas a João Bento

Published on November 11, 2022

Foi atleta de competição, engenheiro civil (curso, mestrado, doutoramento e agregação pelo Técnico, doutoramento também pelo Imperial College London) e professor, tendo transitado da academia para a vida empresarial tardiamente na sua vida profissional.
É atualmente CEO dos CTT e está empenhado num extraordinário processo de transformação da empresa a partir de uma condição de operador postal convencional para se converter num operador logístico ibérico, porventura o maior promotor do desenvolvimento do comércio eletrónico em Portugal e um parceiro muito relevante na jornada de digitalização da economia das empresas portuguesas.

O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
A paixão por aprender, por investigar e por ensinar. Recordo-me também que os tempos em que fui aluno correspondem, porventura, ao último período da minha juventude e em que a dimensão lúdica da vida se sobrepõe a todas as outras.

Qual é a sua melhor recordação do Técnico?
O dia em que vi aquela que veio a ser a minha mulher, através da janela do meu gabinete no antigo Laboratório de Resistência de Materiais.

Qual é o seu lugar preferido no Técnico e porquê?
O Pavilhão de Engenharia Civil, por várias razões: vi-o ser construído, foi, a partir de certa altura, o grande centro de ensino – onde decorriam a maior parte das aulas do Técnico (será ainda assim?) –, e é o sítio onde durante muitos e muito ricos anos tive o meu gabinete e construí o meu grupo de investigação; onde fui muito feliz.

Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Comecei por ser tarefeiro de investigação (hoje chamar-se-ia “bolseiro” e daí a querer ser académico foi um caminho óbvio e muito directo. Fui académico – professor, investigador e consultor – de forma plena durante a primeira metade da minha vida profissional. No Técnico! Foi também a partir dessa condição de académico que criei a minha primeira empresa (hoje dir-se-ia “start-up”), com colegas mais velhos, professores do Técnico, logo após ter terminado a licenciatura. 

Como é que entrou na área profissional em que está agora?
Foi precisamente a partir das actividades de “ligação à sociedade” (consultoria) que desenvolvia com a minha equipa do Técnico. Mais ou menos no mesmo período recebi um convite e um desafio: o convite, para representar o Estado em funções não-executivas numa grande empresa, então, parcialmente pública; o desafio, para uma função em part-time numa outra grande empresa portuguesa, onde desenvolvera um projecto de consultoria de relevo. A partir daí, demorei cerca de 2 anos a concluir que deveria suspender a minha condição de académico. Ainda estou nessa situação.

Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira?
Precisamente aceitar desafios. Desde esse primeiro, que me fez mudar de vida, aceitei várias vezes tomar responsabilidades para as quais não tinha a certeza de estar preparado. E nunca me arrependi.

O que o faz ter orgulho em ser um alumnus do Técnico?
A noção que tenho de que foram as bases que recebi no Técnico – científicas, técnicas, de uma certa exigência intelectual –, que me ajudaram a interpretar o mundo sob uma perspectiva de engenharia, de “problem-solving” (desculpem mas aqui o inglês assenta mesmo bem). Foi essa tarimba, ganha como aluno e como professor e investigador que me ajudou a ser capaz de encarar desafios tão diferentes e, porventura, a ultrapassá-los.

Que conselhos daria aos estudantes atuais?
Estudem e divirtam-se. Se conseguirem, estudem divertindo-se. Não abdiquem de nenhum deles!

Que conselhos daria aos estudantes do ensino secundário que estão a pensar em estudar STEM, particularmente no Técnico?
Não hesitem. STEM prepara-vos para a vida como nenhuma outra formação. E no Técnico sabe ainda melhor!

De que mais se orgulha na sua vida?     
Da família que tenho – que já inclui filhos e netos –, e que tem sido construída com a minha mulher: professora do Técnico, minha ex-aluna do Técnico, minha ex-colega no Técnico, minha companheira de sempre.