Dia Internacional da Igualdade Feminina. Mulheres na tecnologia: aposta ganha para as empresas

Published on August 29, 2022

No dia Internacional para a Igualdade Feminina, Sara Mendes, Senior Solutions manager da Huawei Portugal destaca a mais-valia na aposta da diversidade, igualdade e inclusão na área das TIC.

Por Sara Mendes, Senior Solutions manager da Huawei Portugal

A dificuldade em responder às necessidades de talento no mercado de trabalho tem sido um tópico recorrente nos mais variados fóruns de discussão, até porque esta é uma realidade na maioria dos sectores. No entanto, foquemo-nos nas áreas das TIC – um mercado cuja forte expansão não está, ainda, a ser acompanhada pela resposta necessária ao nível de disponibilidade de profissionais.

Assumamos sem cerimónias que persiste uma dificuldade em encontrar talento especializado, no entanto sejamos também peremptórios na procura da solução. E esta pode estar num pilar que, apesar de muito abordado, ainda não é activado como devia: a Diversidade, Igualdade e Inclusão.

Caso não fosse suficientemente óbvia a necessidade de combater a discriminação, poderíamos ainda identificar duas vantagens concretas da aposta na Diversidade, Igualdade e Inclusão. Em primeiro lugar, o aumento da pool de talento que é considerada para qualquer oferta de emprego, e, em segundo, a resposta a uma das maiores preocupações das gerações mais novas a entrar no mercado de trabalho: as questões sociais.

E quando abordamos esta questão é necessário que sejamos específicos na variável em discussão. Isto porque, para cada ramificação do tema, novos problemas se levantam. Aproveitemos então a data que se assinala hoje, Dia Internacional da Igualdade Feminina, e olhemos para a representação das mulheres no mundo tecnológico.

Veja-se que, actualmente, e segundo o estudo da Boston Consulting Group intitulado “Learning from Women Who’ve Made It to the Top in Tech”, as mulheres representam apenas 16% dos empregos de nível sénior na área tecnológica e 10% dos cargos executivos. No entanto, tal não é representativo da sua ambição profissional, uma vez que a percentagem de homens e mulheres a trabalhar em tecnologia é quase a mesma e 62% das mulheres e 67% dos homens tentaram promoções. E se esta é uma situação que em Portugal pode ser, em parte, justificada pela proporcionalidade – uma vez que, no País, apenas cerca de 10% dos profissionais no mundo da tecnologia são mulheres -, analisando outras geografias percebemos que estes valores, com o desenvolver do sector, não são proporcionais.

Então qual é a justificação para que uma indústria, aliás tão modernizada, esteja a ficar aquém do que seria expectável em termos de Diversidade, Igualdade e Inclusão? E como podem as organizações combater esta questão?

Primeiramente é necessário reconhecer o problema. E podemos ilustrá-lo recorrendo a um relatório da PwC. Diz o “Women in Tech: Time to Close the Gender Gap” que 78% dos universitários não conseguem nomear uma mulher famosa a trabalhar em tecnologia. Se numa altura em que as decisões sobre o futuro se fazem, entre outros factores, com base na ambição de uma carreira de sucesso, como podemos esperar que as mulheres queiram seguir uma área onde não reconhecem a possibilidade de prosperidade para si?

Tendo a problemática identificada, podemos encarar o desafio com o objectivo de proceder ao desenvolvimento e aplicação de soluções nos campos de acção que são às empresas mais próximos. Nomeadamente numa interligação entre a academia e o mundo do trabalho, a partilha do propósito do trabalho na área das TIC ou o foco nas preocupações dos mais jovens.

Se desde cedo a tecnologia for apresentada às jovens como uma área onde podem não só ingressar, como prosperar, com certeza ficarão mais cativadas para a seguir. Depois, e uma vez que, segundo o mesmo estudo da PwC, metade das mulheres identifica como o factor mais importante na decisão da sua carreira o reconhecimento do seu trabalho como parte integrante da construção de um mundo melhor, tem de existir um enaltecer desta intenção da área. Além disso, e porque as preocupações das pessoas no mundo do trabalho divergem, também, geracionalmente, e se procura uma atracção do público mais jovem, é necessário olhar para os temas sociais e da sustentabilidade nas suas variadas vertentes como um campo a trabalhar.

Os resultados dos estudos são claros, e parte das soluções para responder ao problema é facilmente identificável. No entanto, é agora necessário que a aposta na sua aplicação seja realizada de forma conjunta. Governos, empresas e a academia devem trabalhar em sintonia para fazer da Diversidade, Igualdade e Inclusão destaque e conseguir aplicá-los de forma concreta à sua realidade. Só assim conseguiremos valores mais justos no que a este campo respeita, assim como o colmatar de um problema que temos visto agravado, como é o caso da atracção e retenção de talento, nomeadamente o feminino no mundo das tecnologias.