10 perguntas a Francisco Veloso

Publicado em August 29, 2022

Francisco Veloso é o Diretor (Dean) da Imperial College Business School. Antes disso, foi Diretor da Católica Lisbon School of Business & Economics, onde era também titular da Cátedra NOS em Inovação e Empreendedorismo. Francisco mantém ainda uma posição como Professor Catedrático Convidado na Universidade Carnegie Mellon, onde desenvolveu uma parte importante da sua carreira.
A sua investigação foca-se em inovação e empreendedorismo de base tecnológica. Tem dezenas de publicações em revistas científicas de referência e ganhou vários prémios pelas suas contribuições.  Contribui regularmente como administrador não executivo, consultor e assessor de startups, empresas estabelecidas, universidades e governos em todo o mundo. 
Fez parte do órgão consultivo de alto nível RISE - Research, Innovation and Science Experts para o Comissário Europeu da Ciência, Tecnologia e Inovação. Presidiu ao Conselho Consultivo da Associação Portuguesa dos Business Angels e foi membro dos Conselho Nacional de Empreendedorismo e Inovação e Conselho Nacional de Ciência e Tecnolocia para o Governo de Portugal. 
Francisco tem um doutoramento em Gestão de Tecnologia e Políticas Públicas pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), bem como um MSc em Economia e Gestão de Ciência e Tecnologia pelo ISEG e uma Licenciatura em Engenharia Física Tecnológica pelo Técnico, ambas escolas da Universidade de Lisboa.  

Porquê o Técnico?
Tal como agora, na altura que terminei o secundário, o Técnico era a escolha evidente para um bom aluno, interessado em adquirir uma formação universitária rigorosa, na fronteira do conhecimento, e em fazer parte de uma comunidade de pares com perspectivas semelhantes e uma grande vontade de fazer a diferença e ter impacto na comunidade.

Pode falar-nos um pouco dos seus estudos no Técnico?
Eu estudei Engenharia Física Tecnológica, logo num dos primeiros anos em que foi oferecido. Era um curso novo, exigente e arrojado, com um excelente grupo de professores e alunos.

Como foi estudar no Técnico?
Eu gostei muito de estudar no Técnico, não só pelo meu percurso académico, que correu muito bem, mas também pelo grande envolvimento que tive em iniciativas de carácter estudantil.

O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Levo as duas coisas; uma excelente preparação académica, bem como a experiência de liderança e iniciativa, e ainda amigos que ficaram para a vida.

Qual foi a melhor parte do seu curso? E a mais desafiante?
As várias fases foram diferentes. A fase inicial foi de descoberta e aprendizagem intelectual, a meio do curso foi sobretudo o contexto de liderança e iniciativa fora das aulas, dado que estive muito envolvido nas atividades estudantis; no final foi a preparação para seguir a carreira académica, ainda que noutra área diferente da do curso que frequentei.

Em que atividades extra-curriculares esteve envolvido?
Ao longo dos meus 5 anos eu fiz parte do Conselho Pedagógico, da Direção da Associação dos Estudantes, do IAESTE, e do BEST, tendo sido ainda presidente da Junitec - foram anos muito preenchidos e recompensadores.

No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?
Tive inúmeras que me marcaram e me têm acompanhado para a vida. Mas, porventura a pessoa com mais influência foi o meu orientador de projeto final de curso, de quem fiquei colaborador e amigo desde então, o Professor Manuel Heitor. Ele teve um papel muito importante no incentivo e apoio para me lançar na minha carreira académica internacional. 

Qual é a sua melhor recordação do Técnico?
Tenho algumas  recordações vivas, entre as quais a liderança da organização da jobshop, que pela primeira vez se fez num insuflavel que ocupou a alameda; a criação e desenvolvimento da Junitec e do movimento Júnior Empresas; e ainda a descoberta, durante um estágio que fiz na Alemanha, de que não queria continuar a trabalhar na área da física, e que estava interessado em questões de inovação.

Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Eu decidi virar a minha carreira para as ciências económicas e sociais, em particular a gestão de inovação, área em que desenvolvi a minha carreira académica.

Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Neste momento sou Diretor (Dean) da escola de gestão do Imperial College London.

Como é que entrou na área profissional em que está agora?  
Eu fiz mestrado em Economia e Gestão de Ciência e Tecnologia no ISEG e depois fiz um PhD em Technology, Management and Policy no MIT, nos EUA. A partir daí continuei a minha carreira académica nas áreas de gestão de inovação e empreendedorismo como Professor na universidade de Carnegie Mellon, tendo ainda feito um pos-doc de volta no Técnico. Fiquei também muito ligado à Universidade Católica, onde ia dar aulas regularmente, e onde acabei como director da escola de economia e gestão. 

Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira?
Os principais desafios foram, numa primeira fase, aqueles que se apresentam a qualquer académico - terminar o PhD com sucesso, conseguir uma boa posição académica e depois evoluir na carreira até Professor Catedrático. A partir daí, os meus desafios foram ao nível da gestão universitária, em Portugal e no UK, especialmente desde que assumi cargos de diretor de escola, primeiro na Católica Lisbon School of Business & Economics e depois na Imperial College Business School.

O que o faz ter orgulho em ser alumnus do Técnico?
Os atuais e passados alunos, bem como a qualidade dos seus académicos e investigação.  

Que conselhos daria aos estudantes atuais?
Seguir os seus sonhos e ambições, mesmo que sejam diferentes da área em que estudou. 

Que conselhos daria às raparigas que estão a pensar em estudar STEM, particularmente no Técnico?
Go for it! É um fantástico passaporte para o vosso futuro.