10 perguntas a Joaquim Nogueira

Published on August 17, 2022

O Joaquim Nogueira licenciou-se em Matemática Aplicada e Computação em 1995. 
Atualmente trabalha em Londres em Gestão de Ativos.

 

Porquê o Técnico?
Na altura em que me candidatei, o IST era provavelmente a Faculdade com reputação mais estabelecida em Portugal. Na minha geração, todos os alunos da minha área queriam entrar no IST.

Pode falar-nos um pouco dos seus estudos no Técnico?
Inicialmente comecei em Engenharia Mecânica. Foi nesse curso que fiz muitos e bons amigos e onde me apercebi da minha vocação para a Matemática. No final do primeiro ano candidatei-me a uma das 15 vagas existentes para transferências de outros cursos do IST.

O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Levo as boas amizades que fiz, tanto no curso de Engenharia Mecânica como na Licenciatura em Matemática. Houve professores que me marcaram, poucos pela negativa e, felizmente muitos mais pela positiva. Sobretudo sinto que o IST desenvolveu em mim uma capacidade de trabalho intenso em períodos limitados de tempo. Isto é consequência de uma avaliação que era muito centrada no final do semestre.

Qual foi a melhor parte do seu curso? E a mais desafiante?
O trabalho final de curso, que foi um colaboração entre os departamentos de Matemática e Engenharia Civil. Foi um prazer conhecer e trabalhar com o Professor Gaspar Nero.

No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?
O Professor Gaspar Nero do departamento de Engenharia Civil. Foi o meu supervisor do projeto final: um fora de serie e, para alem disso, grande Benfiquista.

Qual é a sua melhor recordação do Técnico?
As idas a praia com os meus colegas de Engenharia Mecânica no principio do semestre de Verão do primeiro ano.

Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Fui para Londres fazer um MBA logo a seguir ao curso. Comecei a trabalhar em finanças como analista de research no ING Barings. Depois trabalhei na Societe General por 3 anos e mais cinco anos no Deutsche Bank. Há cerca de 15 anos comecei a trabalhar como gestor de fortunas no Cazenove Capita, atividade que continuo a exercer, mas desde há 10 anos numa gestora de ativos Suíça: GAM International Management. 

Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Atualmente estou a gerir uma carteira de cerca de $500m (USD) de ações de mercados emergentes. É algo que gosto muito de fazer e que implica viagens regulares a estes mercados. Todos os anos viajo várias vezes ao Brasil, India, Africa do Sul, Rússia (infelizmente agora já não cubro a Rússia), etc. Nestas viagens reúno-me com os gestores das empresas onde estamos investidos ou que são potenciais  investimentos. Também me reúno com governantes, em especial nas áreas da economia e finanças.

Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?  
Recusar uma oferta para ir trabalhar na equipa de Estratégia de América Latina da SBC Warburg (hoje UBS). Mas acabei por escolher na altura a Societe Generale e uma carreira em Mercados Emergentes (Asia, América Latina e EMEA) ao invés de uma carreira centrada apenas na América Latina. Esta foi ao mesmo tempo uma das minhas decisões profissionais mais difíceis, mas também uma das mais acertadas.

Quais são os seus planos para o futuro?
Tenho feito, com a minha equipa, um esforço grande de integrar cada vez mais, no nosso processo de investimento, a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente. Lançámos há dois anos um fundo especializado nesta área, que queremos ver crescer. Quero sentir que como "portfolio manager" estou a contribuir para um futuro melhor. Não apenas para nós, mas sobretudo para as próximas gerações.   

Tem uma citação ou frase favorita?
Um filosofo conhecido disse "preocupo-me com o futuro porque é onde vou passar o resto dos meus dias".