
10 perguntas a Nuno Carvalhosa
Nuno Carvalhosa, após 8 anos no Colégio Militar, entrou no Técnico em Outubro de 1990, fazendo parte do primeiro grupo de licenciados em Engenharia e Gestão Industrial.
A sua carreira iniciou-se na AutoEuropa, a que se seguiu o MBA no INSEAD (Fontainebleau).
Após o MBA, trabalhou durante dois anos e meio em consultoria em Madrid, Lisboa e São Paulo com projetos nos sectores de media, telecomunicações e banca.
Entre 2002 e 2016 trabalhou na PT Comunicações, na ZON TV Cabo e na NOS Comunicações. Neste período, teve várias responsabilidades executivas, nomeadamente como Administrador Executivo na ZON e na NOS, cobrindo um leque muito alargado de áreas funcionais. Participou nos processos de spin-off da PT Multimédia (2007) e da fusão entre a ZON e a Optimus que deu origem ao Grupo NOS (2013). Foi, ainda, Chief of Staff do CEO da PT Comunicações e da ZON Multimédia e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da ZON Açores.
Foi Managing Director da Barents Capital antes de em 2018 liderar, como CEO da empresa, o start-up da OMTEL, a primeira empresa independente de torres em Portugal, após a aquisição desta operação à Altice por um consórcio liderado pela Morgan Stanley Infrastructure Partners.
Desde Janeiro de 2020 e em resultado da aquisição por €800 milhões da OMTEL pela Cellnex, o maior operador de infraestruturas de telecomunicações da Europa, que lidera o Grupo Cellnex em Portugal. Nesta posição, vem liderando um processo de crescimento acelerado que envolveu já várias aquisições adicionais, entre as quais a empresa de torres da NOS, num investimento total acumulado de cerca de €2 mil milhões.
É casado e tem dois filhos. Participa em ações de voluntariado, gosta de ler, viajar e de estar com a família e amigos, entre os quais, se encontram ainda vários colegas de Engenharia e Gestão Industrial do Técnico.
Porquê o Técnico?
Porque era (e continua a ser) a escola de Engenharia mais reputada do país e que ia arrancar com o curso de Engenharia e Gestão Industrial no ano lectivo imediatamente a seguir a eu acabar o 12º ano no Colégio Militar.
O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Levo várias coisas importantes, nomeadamente, vontade e gosto por aprender, a autonomia na aprendizagem, a abertura de espírito para com situações e desafios novos, a disciplina e sistematização na análise de problemas e no projectar soluções para os ultrapassar e, não menos importante, as memórias de anos bastante felizes, assim como amigos para a vida e com os quais, depois de quase 30 anos de saída do Técnico, continuo a manter uma relação próxima e frequente.
Qual foi a melhor parte do seu curso? E a mais desafiante?
A melhor parte foi a diversidade decorrente das cadeiras das ciências básicas, das ciências tecnológicas e das ciências socioeconómicas. E os amigos que fiz para a vida e com quem continuo a relacionar-me com proximidade e frequência.
A mais desafiante foi a de ter feito parte do primeiro grupo de alunos de Gestão Industrial com a falta de maturidade que as cadeiras das ciências socioeconómicas - cerca de um terço das cadeiras do curso - naturalmente tinham por estarem, quase todas, a funcionar no Técnico literalmente pela primeira vez.
Em que atividades extra-curriculares esteve envolvido?
Fui delegado de curso de Gestão Industrial, tendo sido responsável pela candidatura e admissão da LEGI à ESTIEM (European Students of Industrial Engineering and Management), trabalhei na Junitec durante alguns anos e fiz ainda parte das equipas de futsal e de futebol 11 do Técnico.
Qual é o seu lugar preferido no Técnico e porquê?
A esplanada do Pavilhão de Civil. Tinha acabado de arrancar e era o centro da nossa vida social no Técnico e o nosso ponto de encontro para quase tudo.
Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Comecei a minha carreira profissional na AutoEuropa onde, durante dois anos e meio, trabalhei nas áreas de Industrial Engineering & Layout, de Manufacturing Planning e de Engenharia de Produto. A seguir à AutoEuropa fiz uma pausa de um ano na minha carreira profissional para fazer o MBA no INSEAD.
Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Lidero a Cellnex Portugal. A Cellnex é o principal operador de infraestruturas de telecomunicações da Europa com presença em 12 países.
A Cellnex entrou em Portugal no início de Janeiro de 2020 com a aquisição por €800 milhões da OMTEL, sendo esta última a empresa que resultou da aquisição em 2018 por um consórcio liderado pela Morgan Stanley Infrastructure Partners da operações de torres da Altice e por cujo start-up fui responsável como CEO da empresa.
Desde a entrada em Portugal, já investimos na Cellnex cerca de €2 mil milhões em infraestruturas críticas para que os Portugueses usufruam de boa cobertura de rede móvel.
Uma parte relevante deste investimento está a ser canalizado para a adaptação das nossas infraestruturas (~5.500 em Portugal Continental e Regiões Autónomas) para suportarem a introdução e desenvolvimento do 5G e para a adição de novas infraestruturas por forma a reduzir o número de locais de Portugal com problemas de cobertura e/ ou qualidade de serviço.
O que o faz ter orgulho em ser alumnus do Técnico?
Ter passado por uma faculdade de Engenharia que tem sabido desenvolver-se no sentido de se manter uma referência desde 1911, o ano da sua fundação. A qual formou milhares e milhares de alunos que ao longo das suas carreiras nas mais diversas áreas souberam contribuir para o desenvolvimento da sociedade e honrar a instituição por onde passaram.
Que conselhos daria aos estudantes atuais?
Que tenham coragem. Coragem para se conhecerem a si próprios e a entenderem bem o que realmente os “faz correr” na vida; coragem para serem exigentes consigo próprios e com a sua adequada preparação (que não apenas académica) para a vida após a saída do Técnico e; coragem para enfrentarem os muitos e diversos desafios que vão enfrentar pela vida fora e onde nem todos irão correr como desejam, mas dos quais haverá sempre ensinamentos relevantes a extrair para os muitos desafios que se seguirão.
Que palavra ou frase usaria para descrever os alumni do Técnico?
Versatilidade.
