10 perguntas a Isabel Viçoso

Publicado em September 5, 2022

Isabel Viçoso, Engenharia Química, 1992.
Isabel iniciou o seu percurso profissional numa empresa de consultadoria de processos, posteriormente passou para o departamento de Engenharia de Processos e na Direção Comercial no SPC e mais tarde em virtude dum MBO com a aquisição da LOGIC e até o dia de hoje, administradora com os pelouros de Sistemas de Informação, Engenharia de Processos, Inovação, Desenvolvimento Comercial e Pós-Venda.

Porquê o Técnico?
Pela simples razão que queria ter uma licenciatura em Engenharia, uma vez que era a área que me apaixonava, queria gerir fabricas e desenvolver novas fórmulas químicas, a única duvida que tive foi entre dois cursos de engenharia, mas sempre no Técnico. A história e a notoriedade do IST faziam que fosse a opção escolhida era quase um sonho para quem estava nas áreas de STEM.

Como mulher, como foi estudar no técnico?
Ser mulher no Técnico entre 87/92 sobre a ordem pratica tinha alguns constrangimentos, WC femininos eram muito poucos e os acessos não eram os mais fáceis, sair de madrugada do Técnico após alguns trabalhos também era uma aventura, mas tudo o resto foi natural, estudava na área que gostava, nunca me lembro de me sentir discriminada, se o fui interpretei como uma tontaria isolada.

O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Os meus tempos de estudante no Técnico foram muito felizes, levo essencialmente duas grandes valias: a minha formação e amizades muito fortes que permanecem e permanecerão para sempre.

Qual a melhor parte do seu curso? E a mais desafiante?
O meu curso foi de 5 anos, onde no 3º ano escolhíamos o ramo, escolhi o ramo de processos e indústria. Claramente, a nível académico foram os melhores anos do curso, para alem de as cadeiras focarem temas que me interessavam mais, eram cadeiras com conteúdos mais práticos. O maior desafio considero que foi o projeto de final de curso, ciclohexilamina, consistia em colocar no mercado o produto de modo viavelmente económico, para tal, começámos por uma pesquisa de mercado, perceber onde poderia ser útil este composto orgânico, que necessidades de mercado existiam para de seguida avaliar a construção de uma produção fabril, temas menos de engenharia, mas necessários a um engenheiro. De salientar que a nossa base de informação era a biblioteca, não havia o google, o arranque do projeto foi um desafio bem grande, depois a parte de desenho dos processos, dimensionar equipamentos e restante fluiu normalmente.

Qual a melhor recordação do técnico? 
Tenho várias, e, é difícil escolher a melhor, mas vou referir uma que era marcante nessa época, para todos os estudantes, o lançamento dos foguetes pelo Sr. Eng.º Carvalhosa (o assistente do pavilhão central carinhosamente tratado como tal) no dia da nossa graduação. A prática era o lançamento dum foguete por cada ano passado no Técnico, fomos 4 grandes amigos que concluímos no mesmo dia e foi uma grande festa. Hoje por variadas razões já não é se lançam foguetes, mas fica a recordação para tantos Alumni.

Qual o lugar preferido do Técnico e porquê?
O lugar preferido é a entrada do pavilhão central, a vista para a Alameda e para alguns dos pavilhões mais antigos transmite-me uma altivez que gosto, associada a uma história de grandes sábios.

Quais os grandes desafios da sua carreira?
Os grandes desafios são estar constantemente atualizada, desafiar o predefinido, procurar inovação, procurar melhorias, questionar, prever dificuldades e ter os vários planos acautelados, motivar equipas, continuar a entusiasmar-me com o dia a dia.

O que lhe faz ter orgulho em ser Alumna do Técnico?
O Técnico continua a ser uma referência do saber, tanto em Portugal como no mundo e pertencer a esta comunidade é muito gratificante. O trabalho de comunicação é essencial, não está nos genes dum engenheiro, mas não nos faz esquecer donde viemos e atualiza-nos pelos novos desafios.

Que palavra ou frase usaria para descrever os Alumni do Técnico?
Saber pensar e saber fazer.

Que conselhos daria às raparigas que estão a pensar em estudar STEM, particularmente no Técnico? 
As áreas STEM nunca foram as principais opções das raparigas, não sei se o motivo é só uma questão de interesse ou dos conteúdos do secundário, mas o potencial de desafios futuros que podem aparecer com formação no Técnico são bem altos e acredito que muito melhores do que qualquer outra formação, aconselho a serem perseverantes, focadas nos objetivos a que se propõem, mas essencialmente, gozarem o caminho e estarem muito atentas a oportunidades.