
10 perguntas a João Pedro Tavares
João Pedro Tavares graduou-se em Engenharia Civil, ramo hidraulica em 1985.
Porquê o Técnico?
Porque é a escola de referência no nosso país para engenharia.
O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Tenho pena em não ter tirado muito mais partido de tudo o que o IST me poderia ter oferecido. É muito importante manter proximidade e contactos com todos, pedir e dar ajuda se necessário, manter proximidade, desenvolver sentido de pertença. Quando saí do IST não havia uma rede alumni ativa e isso foi criado por iniciativa pessoal e a rede é fundamental para a vida.
Qual foi a melhor parte do seu curso? E a mais desafiante?
Não consigo destacar uma em particular pois todas tiveram desafios próprios. O curso de Eng. Civil é muito interessante e revejo-me enormemente nas matérias que aborda. Hoje talvez tenha de incluir mais tecnologia. Gostei muito dos trabalhos práticos de final de curso, em grupo e de os ter apresentado a júris ou professores. Foi uma forma de assimilar e interiorizar tudo o que fui aprendendo ao longo do curso.
No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?
Sim, claramente o Prof. António Quintela, de Hidraulica. Destacou-se por ser um mestre em hidráulica, muito próximo, acessível, exigente, inteligente e que tirava o melhor de nós mesmos. Tive o privilégio de trabalhar lado-a-lado com o prof. Quintela na minha primeira profissão, na Hidrotécnica Portuguesa e devo-lhe muito do que sou e aprendi com ele.
Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Saí do IST para a tropa, como sapador ponteneiro. No IST aprendi a construir e na tropa aprendi a destruir pontes. Profissionalmente comecei na Hidrotécnica portuguesa como Engenheiro Civil com responsabilidades e desafios muito marcantes. Mas sentia que algo me faltava e ao final de 1 ano transitei para a Consultoria de Gestão. Um mundo totalmente novo e distinto muito marcante e com enormes desafios.
Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Tive uma carreira na consultoria de gestão (Andersen e Accenture) e posteriormente na consultoria financeira (Stormharbour). Trabalho a área de Serviços Financeiros e sou Administrador não-executivo do Banco Santander, como actividade principal e onde dedico 30% do meu tempo. Complemento o meu trabalho assessorando várias Fundações (F. Gulbenkian, F. Gaudium Magnum, F. Santander), lidero a ACEGE (Associação Cristã de Empresários e Gestores) e apoio outras ONG’s (IES – Social Business School, Junior Achievement, PWN – Professional Women Network), apoio que me toma o restante tempo.
Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?
Despedir alguém que me era muito próximo foi muito difícil. Tive de o fazer de forma cuidada mas direta, defendendo a pessoa e apontando novas oportunidades que se colocavam.
Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira?
Os principais desafios são: ser humilde e estar disponível para aprender sempre! (um enorme erro é julgarmos que já não temos nada a aprender). Dar sempre, sempre, o melhor de nós mesmos e não andar a comparar-me sistematicamente com os outros. Se não consegui ser primeiro não tem problema, desde que tenha dado o melhor de mim mesmo! Perceber que há mais valor criado conjunto, em equipa do que de forma individual. Não ter medo e confiar. O medo condiciona e limita sempre. Viver com um propósito e sentido de missão e ir para lá de ambições que sejam pessoais. Entender que liderar é servir e talvez seja das mais responsabilizantes formas de serviço.
Atualmente, como é um dia típico para si?
Acordar cedo, ir à missa, trabalhar de manha e de tarde (projectos, reuniões, rever materiais), almoçar com tempo (tenho uma agenda muito cheia de almoços), telefonar às pessoas mais importantes da nossa vida e terminar o dia mais cedo de modo a estar disponível para jantar em família e ajudar em casa no que for preciso. Infelizmente, não tenho feito desporto mas fica o propósito para o retorno das férias.
O que o faz ter orgulho em ser um alumnus do Técnico?
É uma escola que me marcou e desafiou muito. Um tempo de muito estudo e trabalho e que me deu as bases para o que sou hoje em dia. Por outro lado, a possibilidade de conhecer pessoas incríveis que foram colegas e hoje são amigos para a vida. Perceber que ser do Técnico é algo muito valorizado.
Que conselhos daria aos estudantes do ensino secundário que estão a pensar em estudar STEM, particularmente no Técnico?
Que o Técnico é uma oportunidade que deixa marcas. Que é uma escola muito reconhecida e exigente. Que um bom engenheiro pode ser um bom gestor mas um bom gestor não pode ser um bom engenheiro.
Tem uma citação ou frase favorita?
Deixo duas: "Aconteça o que acontecer, vale sempre a pena darmos o nosso melhor".
Ou então, o meu lema pessoal de liderança, a minha missão: "Ser um líder disponível para inspirar os outros a transformar o mundo e a deixar um legado para a humanidade".
