
10 perguntas a Filipe Farelo
Filipe Farelo, engenheiro mecânico (1999).
"Quando estava no secundário só tinha um objetivo: entrar para o Técnico. Não me interessava particularmente o curso pois o foco era a instituição. Sei hoje, passados quase 30 anos, que o que realmente me moldou como profissional foi a passagem por essa casa". Actualmente trabalha como consultor na área industrial.
Porquê o Técnico?
Porque os meus pais, a minha madrinha e alguns primos tinham andado no Técnico e porque invariavelmente nas conversas referiam que entrar era fácil, o difícil era sair…com o curso concluído. Este desafio e a vontade de me testar, mas também porque todas as pessoas com quem falava me diziam que o Técnico era “a escola” de engenharia de referência, fez com que desde o 10º ano o meu foco fosse, apenas e só, entrar para o Técnico.
O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
O esforço exigido, a necessidade de foco, o planeamento, a capacidade de resistência/resiliência, a capacidade de sofrimento, o ter que saber lidar com a frustração, a necessidade de aceitar com humildade as minhas limitações e naturalmente todo o conhecimento técnico que, de uma forma ou de outra, acabou por cá ficar.
Qual foi a melhor parte do seu curso? E a mais desafiante?
A melhor parte do curso foi sem dúvida ter conseguido terminar! Gostei bastante de algumas disciplinas do 4º e 5º ano. A mais desafiante foi perceber que apesar de achar que sabia muita matemática, física e química afinal não percebia assim tanto. Posso também dizer que foi um desafio enorme entrar no (5º) último ano do curso com 22 anos, acabado de casar e ter começado a trabalhar a tempo inteiro nessa mesma ocasião. Como consequência disso acabei por fazer mais 3 anos de curso.
No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?
Tive vários professores que me marcaram, uns pela genialidade, outros pela relação empática que criavam com os alunos e outros ainda pela irascibilidade, arrogância e prepotência com que tratavam tudo e todos. Destaco pela genialidade os Professores Narciso Garcia e Vasco Brederode e pela relação empática os Professores Edgar Fernandes e João Ventura.
Qual é a sua melhor recordação do Técnico?
O dia em que fui ter com o Sr. Carvalhosa, o contínuo que já estava no Técnico desde os tempos dos meus pais, década de 1960, para lhe dizer que tinha terminado o curso.
Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Tinha acabado de entrar para o último ano do curso (em 1995/1996), e nessa altura dava explicações de matemática, quando fui convidado para assumir a responsabilidade do Após Venda de uma das maiores concessões de automóveis de Lisboa. Na medida em que tinha acabado de casar, entendi que sendo de Eng. Mecânica era o “emprego” ideal para iniciar a minha carreira profissional e dar uso aos conhecimentos adquiridos. Ao fim de pouco mais de 6 meses saí da empresa pois não me sentia minimamente entusiasmado e vocacionado para aquela área. Fui então para uma pequeníssima consultora de gestão como consultor júnior para apoiar um engenheiro sénior na área da segurança industrial e ambiente. Apesar do pouco tempo que estive nessa consultora foi aí que germinou a semente da consultoria e que viria depois a fazer parte de todo o meu percurso profissional desde 1997 até aos presentes dias.
Fale-nos sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Atualmente encontro-me como consultor industrial da empresa ADP Fertilizantes, empresa do Grupo Fertiberia, para os novos investimentos industriais. A empresa foi investida por um fundo internacional tendo sido lançado um plano de investimento muito ambicioso para o período 2020-2025. Dado o meu percurso profissional anterior, sobretudo nos setores da Indústria e da Construção, fui convidado a gerir o portfolio de novos investimentos da Unidade Fabril do Lavradio desde a fase de conceção até à fase de operação. São mais de 35 projetos anuais de diferentes características, dimensões, complexidades e inclusive de valor, mas todos eles focados na melhoria continua, no aumento da eficácia e da eficiência bem como nas condições de segurança e ambientais.
O que o faz ter orgulho em ser alumnus/a do Técnico?
O que me orgulha em ser alumnus do Técnico é o reconhecimento que o mercado de trabalho e dos pares continua a granjear a todos os que por lá passam.
Que palavra ou frase usaria para descrever os alumni do Técnico?
Resiliência. Além disso, como eu costumava dizer no início do meu percurso profissional, o Técnico não formava engenheiros, mas sim cientistas na área da engenharia.
Tem uma citação ou frase favorita?
Uma junção de duas citações que conjugadas orientam a minha vida: "Põe quanto és no mínimo que fazes para em tudo, Amar e Servir."
