Em Lisboa, uma barbearia histórica fundada por dois alumni exibe agora jóias

Published on September 4, 2025
A Portugal Jewels, especializada em filigrana, passou seis meses a renovar o empório do século XIX. Mas manteve duas cadeiras de barbeiro antigas.
 
Quem espera um corte de cabelo ou um barbear à navalha na Barbearia Campos, que abriu portas em 1886 no coração do Largo do Chiado, em Lisboa, terá infelizmente de procurar noutro lugar. O que se pode, no entanto, é experimentar ou adquirir uma seleção de joias enraizadas no saber-fazer português.

Um ponto de encontro tonsorial ao longo do século XIX e início do século XX para figuras literárias como Fernando Pessoa e Eça de Queiroz, bem como artistas como Almada Negreiros, a barbearia enfrentava problemas financeiros, acabando por desligar as máquinas e fechar as portas em 2023.

Após uma renovação de seis meses, a Portugal Jewels, marca familiar de joalharia fina, abriu aí em maio. Trata-se da primeira flagship da empresa, que já contava com uma loja no Aeroporto de Lisboa, uma loja online e alguns pontos de venda em museus e lojas.

A criação foi liderada por Joana e Alexandre Gomes, irmãos que são sócios-gerentes do negócio desde 2017. Explicam que o objetivo principal foi entrelaçar a história da Barbearia Campos com a da sua empresa, fundada em 1990 pela mãe, Rosa Amélia Barbosa.

Para Alexandre Gomes, a nova loja foi uma oportunidade de reescrever o passado do local. “Acredito que quando se compra uma joia, também se compra um sentimento e uma memória. Para a nossa cliente, era importante que não estivesse a entrar num espaço masculino”, afirmou, lembrando que a Barbearia Campos não permitia a entrada de mulheres. “Queríamos apagar esse pensamento antigo e fazer com que as mulheres se sintam especiais.”

E os irmãos afirmam que o novo espaço é agora um reflexo digno do seu negócio.

“Antes de termos este espaço, não havia expansão da marca; estávamos muito limitados a onde éramos representados, como museus e joalharias focadas na cultura e identidade portuguesas, e online ou através de retalhistas,” disse Joana Gomes. “Isto está a dar aos nossos clientes uma experiência ligada tanto à joia como ao local. É entrelaçar estes dois mundos a cada visita.”

Artigo completo: The New York Times