
Alumni mudam a vida de cinco estudantes com a entrega de bolsas solidárias.
“É uma forma de devolver à Escola aquilo que recebemos.” A frase ecoou na Sala de Reuniões do Pavilhão Central do Instituto Superior Técnico, que se encheu para receber um dos momentos mais nobres que uma Escola pode proporcionar: a entrega de bolsas de apoio a estudantes com dificuldades financeiras, promovidas por alumni. A cerimónia celebrou a renovação de uma bolsa e a atribuição de quatro novas.
O Professor Pedro Amaral, Vice-Presidente para a Interface Empresarial, Inovação e Empreendedorismo, deu início à sessão, com as boas-vindas aos presentes. Sublinhou o orgulho de ver a sala cheia, referindo que ainda são muitos os que ficam de fora deste tipo de apoios. Reforçou a importância de dar continuidade ao projeto e de o alargar, destacando o compromisso do Técnico com a causa, agora reforçado com a criação do Núcleo de Desenvolvimento de Carreira e Alumni (NDCA), cuja missão é dar sustentabilidade à iniciativa através do envolvimento dos antigos alunos. Destacou ainda o papel fundamental da AAAIST na criação desta dimensão de bolsas e reconhecimento. Dirigindo-se aos estudantes, afirmou que "é mais do que uma missão encontrar forma de os apoiar, para que não desistam dos seus sonhos por dificuldades financeiras", deixando o desejo de, no futuro, ver ainda mais estudantes beneficiados.
Seguiu-se a assinatura dos protocolos pelos estudantes Diogo Santos (estudante de Engenharia Informática e de Computadores), Inês Godinho (estudante de Engenharia Biomédica), João Cruz(estudante de Matemática Aplicada e Computação), Hugo Pereira(estudante de Engenharia Informática e de Computadores e de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores) e Vicente Duarte (estudante de Engenharia Informática e de Computadores), acompanhados pelos Professores Pedro Amaral e pelo Professor Rogério Colaço, Presidente do Técnico.
Nos seus testemunhos, os estudantes destacaram o impacto pessoal e académico das bolsas. Diogo, que viu a sua bolsa renovada, destacou o impacto que esta teve na sua vida académica e pessoal, permitindo-lhe focar-se nos estudos sem abdicar de outras experiências, como a participação na Tuna. Inês agradeceu, emocionada, aos mecenas o voto de confiança no seu futuro, reforçando a motivação acrescida para continuar o seu percurso académico, e deixando uma palavra de reconhecimento a colegas, docentes e ao Técnico, lembrando que “o Técnico não se faz sozinho.”
João, natural do Brasil, sublinhou a importância da bolsa para quem vive sozinho em Lisboa, descrevendo-a como um apoio fundamental para alcançar estabilidade e não perder oportunidades por motivos económicos. Hugo recordou os primeiros dias no Técnico como momentos de grande desafio, reconhecendo o ambiente de excelência da Escola. Destacou que a bolsa representa “uma enorme responsabilidade, mas também uma oportunidade única de retribuir à comunidade aquilo que hoje recebe.” Por fim, Vicente afirmou que a bolsa foi um incentivo determinante para continuar a seguir os seus sonhos, expressando o seu agradecimento aos mecenas e ao Técnico.
Ana Dias, presidente da AAIST parabenizou os bolseiros, referindo que “gostaria que estivessem ali todos os que precisassem”. “O estudo é o único elevador social que resulta”, destacou, referindo que “permitir que estudantes desistam dos estudos por dificuldades financeiras é um crime social”. Elogiou ainda o envolvimento crescente dos alumni, citando como exemplo a turma de Engenharia Eletrotécnica de 1972-78 (AAEE7278) e o Chapter de São Francisco, que se mobilizaram para apoiar esta causa.
A turma AAEE7278, entregou, pela segunda vez, a bolsa patrocinada pelo grupo, constituído por antigos alunos de Engenharia Eletrotécnica. O Engenheiro Rui Matoso, em representação da turma, recordou a vivência no Técnico e os mais de 47 anos que passaram desde a conclusão do curso. Explicou como, num dos seus encontros habituais, juntamente com os colegas Eduardo Morgado e de Isabel Ribeiro lançaram o desafio aos colegas para criarem uma bolsa associada ao seu curso. “Esperamos que no nosso próximo almoço consigamos entregar a terceira bolsa”, disse, reforçando a importância de “espalhar a palavra”.
Na sessão, estiveram também presentes vários docentes, em representação dos vários Departamentos. O Professor António Letão e Carlos Martinho, parabenizaram e destacaram que “com uma representação tão forte de Engenharia Informática, não faria sentido não estarem ali”. Já o presidente do Departamento de Bioengenharia, João Pedro Conde, destacou a “vitalidade de integrar os alumni na vida do Técnico”. Deixou também rasgados elogios à turma AAEE7278, destacando que “ mostraram ter a mesma juventude dos nossos estudantes”. João Rasga, em representação do departamento de Matemática, mostrou o seu entusiasmo com a iniciativa. “Sou antigo aluno e fiquei inspirado para me juntar”, afirmou. Lina Oliveira, em representação do mesmo departamento, destacou a importância deste apoio. “A educação liberta!”, destacou. Por último, o professor Paulo Correia, Coordenador da Licenciatura em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, sublinhou a necessidade de “promover iniciativas como esta”. Teresa Vazão, também coordenadora do curso de Engenharia Eletrotécnica, revelou que “já estava a escrever um mail aos seus colegas de curso para que fossem os próximos”, arrancando uma salva de palmas dos presentes.
O encerramento da sessão ficou a cargo do Professor Rogério Colaço, Presidente do Técnico, que partilhou alguns dados preocupantes: “Existem atualmente cerca de 1000 bolseiros na instituição, representando menos de 10% do total de estudantes, um número manifestamente insuficiente face ao impacto que a pandemia e a crise económica tiveram na vida das famílias”. “Somos uma Escola com um impacto enorme na sociedade e temos a obrigação de evitar que este crime social aconteça”, afirmou. Referiu ainda que a principal dificuldade em angariar mais apoios não está no dinheiro, mas sim no tempo e na disponibilidade das pessoas. Apelou à participação ativa na Rede Alumni, que já conta com cerca de 4000 membros, e reforçou a importância de criar uma massa crítica dentro dessa rede.
A sessão terminou com um sentimento de concretização e com a certeza de que este é apenas o começo de um movimento que se quer duradouro. Como afirmou Inês, “espero um dia poder devolver à comunidade aquilo que me deram hoje”.
