
10 perguntas a Rui Costa
Rui Costa tem 28 anos. Em 2019, concluiu o seu primeiro mestrado em Ciências Militares Navais – Engenharia Naval na Escola Naval. Este seria seguido de um mestrado em Arquitetura Naval e Engenharia Oceânica no Técnico, concluído em 2023. Após uma carreira de 10 anos na Marinha Portuguesa, onde desempenhou várias funções como militar e oficial de Marinha em ambas as classes de fragatas da armada, juntou-se recentemente à indústria - como Verification & Validation Lead na Damen Naval. O seu percurso profissional e marcado por uma componente operacional, ainda como oficial de Marinha, onde esteve destacado em várias missões nacionais e internacionais, bem como uma componente de engenharia naval, estando também envolvido em projetos de modernização dos navios da Armada Portuguesa. Nas suas funções atuais, assegura que meios navais projetados e produzidos para as várias Marinhas do presente e futuro, cumprem com os exigentes requisitos e expectativas dos respetivos end-users – contribuindo assim para a segurança das suas futuras guarnições e das suas respetivas nações num mundo moderno incrivelmente mutável e caótico.
Além do seu trajeto profissional, desenvolve também várias ações na área da investigação e desenvolvimento – com um particular foco na defesa, em veículos autónomos e no projeto de navios militares de nova geração. Trabalho este que levou já a várias conferências e eventos internacionais em países como os Estados Unidos da America, Reino Unido, Países Baixos, Austrália e Japão.
Porquê o Técnico?
Sempre tive a perceção do Técnico como uma instituição de ensino de referência em engenharia e tecnologia. Não só pela oferta educacional, mas pelos vários Alumni provenientes do Técnico que, pelo seu intenso trabalho e paixão, causaram e continuam a causar um imenso impacto no mundo que os rodeia. Para mim, isto é a essência da engenharia - moldar e alterar, de forma positiva, o mundo que nos rodeia, puramente por meio de ciência e dedicação.
O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Uma das melhores coisas que o Técnico me ensinou durante o meu tempo cá, foi a capacidade de resolver problemas. Qualquer tipo de problemas. O Técnico proporcionou-me desenvolver uma grande capacidade crítica, de adquirir novos conhecimentos e de resolver problemas complexos de forma completamente independente.
No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?
Os meus colegas. As diversas origens, expectativas culturais, interesses e trajetórias académicas e profissionais de todos, unidas por um único propósito, sempre me inspiraram.
Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
A minha carreira começou mesmo antes de me juntar ao Técnico - como oficial na Marinha Portuguesa. A elevada responsabilidade de chefiar uma equipa de profissionais técnicos militares, muitos com uma extensa carreira profissional e diferentes expectativas de liderança, foi incrivelmente desafiante mas também muito recompensador.
Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Após terminar um segundo mestrado, em Arquitetura Naval e Engenharia Oceânica no Técnico, transitei para a indústria. Atualmente estou a trabalhar na Damen Naval, como Verification & Validation Lead em projetos de navios combatentes de superfície. Assegurar o compromisso da minha atual empresa em garantir que os produtos que desenvolvem correspondem às expectativas exigentes dos nossos clientes, é incrivelmente desafiante. No entanto, como ex-end user, isto é algo que me dá um imenso sentimento de gratificação pessoal.
Como é que entrou na área profissional em que está agora?
Eu nasci e cresci numa pequena aldeia no Norte de Portugal, ao largo do Rio Douro e a cerca de 15 minutos do Oceano. O Mar sempre fez parte da minha vida. Como tal, foi perfeitamente natural para mim perseguir uma carreira com a Marinha Portuguesa já em 2013. Fui oficial de Marinha até 2023, data a partir da qual queria perseguir desafios maiores. Sempre compreendi que, muitas vezes, a única coisa que separa os nossos militares de forças que nos desejam mal é um bom navio. Foi aí que me juntei à Damen Naval, onde, atualmente, faço parte de uma das melhores equipas no mundo, dedicadas à construção de navios combatentes de nova geração.
Quais são os seus planos para o futuro?
Continuar a aprender. O mundo encontra-se numa fase revolucionária no campo da defesa. Todos os dias surgem novas ameaças, cada vez mais sofisticadas. E apenas o trabalho conjunto da indústria, academia e forcas armadas nos irão permitir manter a segurança do nosso quotidiano.
Que conselhos daria aos estudantes atuais?
Que sejam audazes. Audazes em tudo. Nos vossos objetivos pessoais, profissionais, nas vossas viagens, decisões e aventuras. Sempre vivi com esta perspetiva em mente, e sinto que isto enriqueceu a minha viagem pessoal de forma profunda.
De que mais se orgulha na sua vida?
Da minha família, dos meus amigos, do círculo de pessoas que me apoiam de forma direta e direta e que edifiquei através de vários anos. Nenhum objetivo pessoal meu foi alcançado de forma isolada. Espero apenas conseguir inspirar novas gerações de engenheiros, estudantes e jovens profissionais como eu fui inspirado pelos meus vários mentores, amigos e familiares.
Tem uma citação ou frase favorita?
“Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas Rosas. O resto e sombra de árvores alheias.” – Fernando pessoa
Simples, clássica e Portuguesa. Tenha-a gravada na primeira prenda que recebi da melhor equipa que liderei como militar. Após todos estes anos ainda a levo comigo.
