Zita Martins: "É fundamental incentivar filantropos a doarem parte da sua fortuna para a investigação científica"

Publicado em July 20, 2023

Numa entrevista à Visão, Zita Martins explica a sua visão sobre financiamento da investigação científica.

"A minha ideia é dar maior destaque à Ciência e ao conhecimento, de modo a que os investigadores possam ser mais apoiados através do mecenato científico. A Ciência está em toda a parte no nosso dia a dia e é graças a ela que temos tido desenvolvimento tecnológico, aumentado a qualidade de vida dos cidadãos. Aliás, a Ciência dá resposta a qualquer um dos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável estabelecidos pelas Nações Unidas. Isto é um trabalho de todos, pois só conseguimos ter um papel fundamental se todos estivermos envolvidos, sociedade, poder político, academia e também mecenato científico. Para tal, temos de dar estabilidade e financiamento.

É relevante saber que apenas 1,7% do PIB nacional vai para investigação e desenvolvimento. E que este valor está muito longe da média europeia. Para termos uma noção, há uma década, em 2013, a média europeia era já de 2,06%. Se queremos colocar Portugal nos países mais desenvolvidos e mais competitivos, é fundamental dar financiamento à Ciência, à investigação e ao desenvolvimento. O mecenato científico tem aí um papel. Em Portugal, não há muito a tradição do mecenato científico, comparando, por exemplo, com os países de tradição anglo-saxónica. Temos bons exemplos, mas são poucos, nomeadamente, algumas doações em testamento e também algum financiamento feito em vida, desses filantropos. Por isso, é fundamental incentivar filantropos a doarem parte da sua fortuna para a investigação científica, apoiando os nossos investigadores. Todos beneficiam disso: financiamos os melhores dos melhores cientistas, conseguimos dar estabilidade ao corpo científico, conseguimos reter massa crítica em Portugal. As próprias instituições científicas beneficiam porque, assim, ganham overheads.

A Ciência é fundamental, pois permite melhorar o mundo, com empatia e com ética. E, para isso, basta que a sociedade civil, em particular o mecenato científico, apoie os nossos investigadores. Vamos a isso?"

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