
10 perguntas a Maria Jesus
Maria Jesus tem 24 anos, é licenciada em Engenharia e Gestão Industrial pelo Técnico, tendo concluído em 2022. Após a licenciatura, concluiu o mestrado em Inovação e Empreendedorismo na ESADE, em Barcelona. Iniciou depois o seu percurso profissional na IBM Consulting, onde trabalha atualmente em consultoria tecnológica, com foco em projetos de Inteligência Artificial. Natural de Lisboa, encontra-se atualmente a viver em Madrid.
É uma pessoa profundamente marcada pelas relações que constrói. Define-se, acima de tudo, pela família e pelos amigos, que considera o seu maior pilar. Tem uma inquietude constante por descobrir o mundo, procurando novas experiências e oportunidades para viajar, aprender e crescer.
Porquê o Técnico?
O meu pai estudou Engenharia e Gestão Industrial no Técnico e é, para mim, um exemplo de empenho e dedicação, não só na vida pessoal, mas também a nível profissional. Sempre demonstrou um forte sentido de constante aprendizagem e de exceder expectativas e tem sido um verdadeiro mentor ao longo do meu percurso.
Quando somos obrigados a tomar decisões importantes como esta tão cedo, muitas vezes sem termos ainda a certeza da nossa verdadeira paixão, é natural que nos inspiremos nas pessoas que mais admiramos. Foi assim que o Técnico se tornou uma escolha natural para mim.
Pode falar-nos um pouco dos seus estudos no Técnico?
Não entrei na minha primeira opção, Engenharia e Gestão Industrial (LEGI), e por isso frequentei o primeiro ano em Engenharia de Telecomunicações e Informática (LETI). É sempre difícil quando não conseguimos atingir as nossas metas, e torna-se ainda mais desafiante ter de estudar cadeiras pelas quais não temos particular gosto. Com muito esforço e com a ajuda de vários colegas — porque, de facto, não se faz o Técnico sozinho — consegui, felizmente, mudar para LEGI.
Desde cedo defini como objetivo concluir a licenciatura em três anos, apesar de ter ficado com várias cadeiras por fazer. Não foi fácil (risos): tive até de pedir autorização ao Presidente para poder inscrever-me em mais créditos do que o permitido. A transição do sistema de semestres para quarters acabou por ser uma grande ajuda, pois ajudou-me a ser mais metódica e permitiu-me ir concluindo as cadeiras de forma faseada, sem acumular tudo ao mesmo tempo.
Quero também deixar um agradecimento especial aos meus colegas e às muitas sessões de estudo em conjunto, pois foi graças a esse apoio que tudo se tornou possível. Do Técnico, levo não só amizades para a vida, mas também a convicção de que tudo é possível quando existe vontade e trabalho. Aprendi ainda a não sobrevalorizar as minhas capacidades e a reconhecer a importância do esforço contínuo e da entreajuda.
Como foi estudar no Técnico?
Eu entrei na faculdade numa altura difícil, não vou mentir, pois o confinamento obrigatório devido à COVID-19 começou no segundo semestre do meu primeiro ano e a normalidade só regressou no segundo semestre do segundo ano. O meu último dia de aulas antes da pandemia tinha sido em LETI, e o primeiro dia de aulas presenciais após esse período já foi em LEGI.
O regresso foi estranho. Todos nós tínhamos uma espécie de barreira invisível que dificultava a criação de novas amizades: a máscara. Entre o distanciamento, as restrições e o contexto de uma pandemia, aprendemos mais a afastar-nos das pessoas do que a aproximar-nos delas.
Contudo, o terceiro e último ano marcou um verdadeiro ponto de viragem. Tudo tinha finalmente voltado à normalidade e, nesse ambiente, acabámos por nos aproximar muito, criando laços fortes e novas amizades.
Em que atividades extra-curriculares esteve envolvida?
Na altura, fui presidente do NECT (Núcleo de Estudantes Católicos do Técnico). Organizávamos peregrinações anuais a Fátima e vários tipos de eventos durante a semana, como missas, torneios de padel, sessões de cinema, seguidas de conferências sobre temas relacionados com os filmes, e o terço das terças-feiras.
Além disso, a Missão País era um compromisso inegociável todos os anos. Eu não participava na do Taguspark, mas sim numa das missões da Alameda. Era sempre uma excelente oportunidade para conhecer colegas do Técnico com quem, de outra forma, provavelmente não me teria cruzado.
Qual é o seu lugar preferido no Técnico e porquê?
Tenho dois. O primeiro é a zona dos puffs no Taguspark. Para mim, aquele espaço sempre foi uma mistura de tudo: o nervosismo antes dos exames, as conversas descontraídas nos intervalos das aulas e, claro, o alívio enorme que vinha depois de entregar uma prova. O segundo é a biblioteca, de longe o melhor sítio para estudar que já estive na vida.
Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Após a licenciatura, concluí o mestrado em Inovação e Empreendedorismo na ESADE, em Barcelona. Atualmente, trabalho na IBM Consulting, onde estou envolvida em projetos de Inteligência Artificial, aplicando tecnologia para gerar soluções inovadoras e de impacto real nos procesos do dia a dia dos nosso clientes.
Como é que entrou na área profissional em que está agora?
No meu caso, fazer o mestrado em Espanha abriu-me muitas portas no mercado de trabalho espanhol. A minha primeira experiência profissional foi já aqui em Madrid, e ter estudado em Barcelona facilitou bastante a integração.
É verdade que o nome do Técnico não é tão reconhecido em Espanha como é em Portugal. Ainda assim, tenho a certeza de que a capacidade de trabalho, persistência e foco que desenvolvi ao estudar no Técnico têm impacto diário na forma como trabalho. Essas competências vão além do nome da universidade e continuam a ser parte essencial do meu percurso profissional.
Que conselhos daria às raparigas que estão a pensar em estudar STEM, particularmente no Técnico?
O meu conselho para as raparigas que estão a pensar estudar STEM, especialmente no Técnico, é não terem medo de escolher um curso apenas porque há pouca presença feminina. Pelo contrário, isso pode ser uma oportunidade: a diversidade traz novas perspetivas, fortalece competências e permite construir uma rede diferenciada. Aprender a transformar esse contexto numa vantagem é algo que vos tornará não só profissionais mais preparadas, mas também únicas no mercado de trabalho.
Que palavra ou frase usaria para descrever os alumni do Técnico?
Desenrascados. São pessoas capazes de recorrer a múltiplos recursos para encontrar soluções, insistir mesmo quando a resposta não surge à primeira e, muitas vezes, sem chegar a uma conclusão imediata. É justamente isso que cria um ciclo de entreajuda e companheirismo verdadeiramente espetacular.
Tem uma citação ou frase favorita?
Em momentos de mudança — seja a transição dos estudos para o início da vida profissional, seja uma mudança de cidade ou qualquer fase de incerteza — gosto sempre de me lembrar desta frase:
"Enjoy the space between where you are and where you are going".
