
O desafio do Empreendedorismo Académico
Nem todos os investigadores querem, ou devem, ser CEOs. Mas aos que querem, devem ser dadas as condições, o apoio e os recursos necessários para que possam liderar com sucesso.
Por Bruno Gonçalves, Investigador do IST e Presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear
Nos últimos anos, tem-se promovido a ideia de que todos os investigadores devem criar startups e transformar ciência em negócio. Mas essa visão ignora a complexidade do processo e os desafios reais do empreendedorismo científico, especialmente em áreas deeptech.
Bruno Gonçalves defende que nem todos os investigadores querem — ou devem — ser CEOs. No entanto, os que desejam empreender precisam de apoio adequado: incubadoras científicas, capital paciente, estratégias de propriedade intelectual e equipas multidisciplinares. O atual ecossistema português ainda não oferece estas condições, o que compromete o sucesso de muitas iniciativas.
É urgente abandonar a narrativa do “sucesso imediato” e investir em modelos realistas que valorizem o tempo, a regulação e a maturação tecnológica. A inovação baseada em ciência exige pontes sólidas entre academia, indústria e mercado — e não apenas pitch decks.
