
10 perguntas a Rita Moura
Rita Maria Diogo de Carvalho de Moura, natural de Lisboa, licenciou-se em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa em 1986. É Especialista em Estruturas pela Ordem dos Engenheiros. É Project Managment Professional (PMP) certificada pelo Project Managment Institute (PMI). É quadro do Grupo Teixeira Duarte desde 1986, onde exerceu atividade na área dos estudos e projetos, sendo atualmente Diretora de Inovação da Teixeira Duarte. É presidente do Cluster AEC - Arquitetura Engenharia e Construção e da PTPC (Plataforma Tecnológica Portuguesa da Construção); presidente do Conselho de Administração do Laboratório Colaborativo Built CoLAB; Vice-Presidente do Conselho Diretivo da Região Sul da Ordem dos Engenheiros; Diretora Geral do Projeto Mobilizador Digital Construction Revolution; membro permanente do Conselho de Administração da parceria Built4People do Horizon Europe, membro do Conselho Estratégico do ENCORD (European Network of Construction for Research and Development); membro do Steering Commitee da ECTP (European Construction Technology Plattform);.
Distinguida com o Prémio Excelência Engenharia, no âmbito dos Prémios CONSTRUIR 2021 e o Prémio Personalidade da Engenharia TEKTÓNICA 2017.
Porquê o Técnico?
Porque era e é a melhor escola de Engenharia em Portugal, o que ainda tem mais valor num País em que temos várias Universidades de excelência (FEUP, Minho, Coimbra, etc…)
Qual foi a melhor parte do seu curso? E a mais desafiante?
As disciplinas de matemática, foram uma verdadeira lavagem ao cérebro. Quando estava a estudar não percebia bem qual era o objetivo, mas foram um exercício cerebral, de capacidade de raciocínio incrível que fica para sempre e que me ajudou imenso na minha atividade profissional. Comparo a matemática no mundo das ciências, com a música no mundo das Artes e ambas deveriam ser muito mais intensivas no ensino em geral, porque tem um efeito potenciados da capacidade de raciocínio.
Em que atividades extra-curriculares esteve envolvida?
Enquanto estudava no Técnico dava explicações de matemática e de física a estudantes do secundário e trabalhava como modelo (moda e publicidade), o que me permitiu ter autonomia financeira desde muito nova. Tive por isso capacidade financeira para viajar muito, nos longos períodos de férias, muitas vezes de interrail o que me permitiu conhecer profundamente a Europa mas também outros Países.
No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?
O Edgar Cardoso, infelizmente já não o tive como professor, mas apesar de já estar retirado continuava, nessa altura, a ser a grande referência para os
Engenheiros Civis, e continua a ser! Tenho pena que não exista atualmente nenhum Engenheiro Civil com o nível carismático e de reconhecimento que ele tinha. Muito mais do que os movimentos de massa, são os grandes exemplos individuais que protagonizam a mudança, o reconhecimento e que nos indicam o caminho.
Qual é a sua melhor recordação do Técnico?
Tenho boas recordações mas o dia em que acabei o curso foi muito especial com todo o aparato de lançamento de 5 foguetes (o último com fogo de artifício com a ajuda do Sr Carvalhosa, acho que era este o nome), julgo que se perdeu esta tradição que era um momento de plena realização, muito bonito.
Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
A Teixeira Duarte é a empresa em que trabalho desde os 23 anos, desde que me licenciei no IST. O facto de ser uma grande empresa e com uma política de valorização de recursos humanos que aposta na experiência pluridisciplinar, permitiu-me usufruir de uma experiência alargada que se iniciou com a orçamentação de obras públicas, projeto de estruturas, inspeção e reabilitação e projetos de investigação, desenvolvimento e inovação. Atualmente desempenho o cargo de Diretora de Inovação da Teixeira Duarte.
Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira?
O maior desafio da minha carreira foi o projeto de consolidação estrutural de um edifício de 12 pisos sinistrado por uma explosão de gás em Setúbal. O edifício estava em risco de colapso eminente, foi uma intervenção de engenharia de alto risco em que tive que tomar decisões difíceis, numa luta contra o tempo. No Técnico aprendemos a construir edifícios de baixo para cima, ali foi tudo feito de cima para baixo, um apelo imenso à criatividade mas eu sabia bem que a inovação tem muitos riscos. Estive durante 2 semanas praticamente continuamente na obra a conceber as soluções que eram logo implementadas. Não havia a certeza de se conseguir evitar o colapso do edifício pelo que todo o projeto foi delineado de modo a garantir a segurança dos trabalhadores, que em nenhuma situação foram colocados em posição de risco. Ainda assim o peso que sentia da responsabilidade pela segurança dos trabalhadores envolvidos foi brutal. Correu tudo bem mas, no final, refleti sobre o que podia ter corrido mal, é bom que se faça este exercício para numa próxima situação não termos a tendência para descorar riscos.
Que conselhos daria aos estudantes atuais?
No quer que façam, os futuros Engenheiros devem ter presente que o nosso propósito é termos a capacidade de proporcionar segurança, conforto e bem-estar à sociedade, sem prejudicar o equilíbrio da biosfera e preservando a biodiversidade. Não é fácil mas cada Engenheiro tem a obrigação de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para combater as alterações climáticas.
Que conselhos daria aos estudantes do ensino secundário que estão a pensar em estudar STEM, particularmente no Técnico?
O conselho que dou aos estudantes do ensino secundário que tem facilidade nas disciplinas de matemática e físico-química não hesitem em estudar no Técnico. Depois resta escolher qual das Engenharias mas julgo que isso é mais fácil, passar de uns cursos para os outros nos primeiros anos (eu comecei em Engenharia Química e no 2º ano mudei para Civil sem perder o ano).
Tem uma citação ou frase favorita?
“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”, Charles Darwin.
