10 perguntas a Pedro Pinheiro

Published on April 21, 2023

O Pedro Pinheiro  é atualmente Executive Director na J.P. Morgan Chase em New York, USA, onde vive desde há cinco anos. Licenciou-se em Engenharia e Gestão Industrial no Instituto Superior Técnico em 1996, tendo posteriormente obtido um Master in Technology Commercialization pela University of Texas at Austin, e uma pós-graduação executiva em Telecomunicações e IT da Universidade Católica.
Antes de ingressar no setor financeiro com responsabilidades na área de estratégia de produto exerceu funções de Vice President Offer Strategy na Altice USA, Head of Devices e Head of E-Commerce na Portugal Telecom, entre outras.
Foi ainda Chefe de Gabinete no Ministério da Economia, e é também um elemento ativo na comunidade portuguesa em NY, tendo sido conselheiro económico da Consulado Português em NY, e membro do Advisory Board da US-Portugal Chamber of Commerce.


Porquê o Técnico?
O Técnico tornou-se o meu único cenário quando chegou a altura de traçar o caminho para o ensino superior. Vinha de um ambiente de ensino no Colégio Militar muito focado na matemática, física, e ciências, o que terá influenciado o meu interesse por tecnologia e inovação em geral.
Tal como hoje, o Técnico era a melhor escola de engenharia do país e com a melhor reputação, pelo que era a escolha natural para quem procurava um ensino de qualidade e de apreender com os melhores.
A criação do curso de Engenharia e Gestão Industrial veio tornar essa escolha ainda mais óbvia, porque no meu caso os interesse que referi acima não eram tanto ao nível do desenvolvimento, mas na aplicação de estratégias baseadas em inovação que trouxessem vantagens competitivas às empresas.

O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Durante esses cinco anos (pré-Bolonha) a minha vida praticamente girava em torno do Técnico. Era aí que passava a maior parte do tempo, onde estavam muitos amigos que já vinham do secundário, mas também os novos que fui criando. O Técnico passou a ser o elemento de ligação entre uma perspetiva futura de carreira profissional, que as aulas, projetos, e exames ajudavam a preparar; e o outro lado da vida de qualquer jovem universitário.
Em termos práticos trouxe comigo o pensamento analítico, a estruturação de problemas, e muitas amizades que duram até hoje.

Em que atividades extra-curriculares esteve envolvido?
Fiz parte da direção da Junitec, onde tive a oportunidade de desenvolver os meus primeiros projetos de consultoria para empresas. Foi uma experiência determinante para expandir o networking no universo do Técnico e até para o início da minha carreira.

No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?
Tenho a sorte de fazer parte de um grupo vasto de pessoas cujas vidas e carreiras foram positivamente influenciadas pelo Professor Manuel Heitor.
Comecei a colaborar com ele em alguns dos projetos que a sua equipa tinha com a indústria, sobretudo na área de energia, quando estava na Junitec. Lembro-me que na primeira ocasião em que somos apresentados -  já ele professor catedrático e vice-presidente do Técnico - a meio da breve conversa em que me descrevia um desses projetos foi buscar uns cinco ou seis “calhamaços” sobre termodinâmica e combustão, que me recomendou que lesse para me preparar para a próxima reunião com a empresa 😊. Sabe desenvolver talento como ninguém, e são hoje muitos os espalhados pelo mundo nas mais variadas áreas que beneficiaram dessa sua capacidade.

Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Estive para começar a minha carreira na consultoria. Estávamos numa fase de grande crescimento dos sistemas de ERP-Enterprise Resource Planning (i.e. SAP, etc.) e o curso de Eng. Gestão Industrial já nessa altura tinha grande procura por esse tipo de empresas.  Mas acabei por recusar uma oferta à última da hora, e comecei a trabalhar num organismo onde já tinha desenvolvido o meu projeto de final de curso (talvez o equivalente à atual tese de Mestrado), que passava por ajudar a desenhar a linha de produção e implementar software ERP para uma nova fábrica do grupo Atlantis. Menos de dois anos depois vim para os EUA tirar um Master in Technology Commercialization na University of Texas at Austin, onde acabei por trabalhar em empresas como a 3M e IBM. Posteriormente voltei a Portugal, onde durante dezasseis anos tive várias funções de liderança no grupo Portugal Telecom. Pelo meio fui Chefe de Gabinete da Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços, colaborei com a revista Exame, e ainda co-fundei uma pequena empresa. Há cinco atrás tive a oportunidade de regressar os EUA, primeiro em telecomunicações e, mais recentemente, no setor financeiro.

Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Atualmente sou Executive Director na J.P. Morgan Chase em New York, onde sou responsável por estratégia digital na divisão de Wealth Management.

O que o faz ter orgulho em ser um alumnus do Técnico?
Da marca e selo de qualidade que isso representa. E de ver antigos alunos do Técnico serem bem-sucedidos em praticamente todas áreas, muitas para além da engenharia.

Que conselhos daria aos estudantes atuais?
Que usem o tempo da Licenciatura e Mestrado no Técnico de forma intencional. Não passem apenas pelo Técnico. Não desperdicem este tempo único das suas vidas. Procurem ter uma experiência holística ao nível académico, pessoal, de liderança, empreendedorismo, etc.  O mundo hoje é mais competitivo, mais global, mais aberto. Por um lado, torna-o mais difícil, mas também traz mais oportunidades. A formação em STEM será sempre uma vantagem competitiva, e o Técnico proporciona essas bases que têm valor no mundo inteiro. Invistam ainda a aprender inglês fluente, exponham-se a outros países se tiverem essa oportunidade, e experimentem criar uma empresa se identificarem um oportunidade de mercado que tire partido das vossas capacidades.
É altura de arriscar. Na maior parte das situações não têm nada a perder.

De que mais se orgulha na sua vida?
Da minha filha. De ver a pessoa em que se tornou com a educação e ferramentas que lhe foram proporcionadas. Por acaso também ela do Técnico.

Tem uma citação ou frase favorita?
Sim, a do conferencista Jim Rohn que tenho no meu LinkedIn: “You're the average of the five people you spend the most time with.”
Média é um conceito que os engenheiros conhecem bem. Procurem rodear-se de quem puxa a vossa para cima.