
10 perguntas a Nuno Pereira
Nuno Pereira é um empreendedor apaixonado por fintech e pelo potencial da junção entre tecnologia e o setor financeiro. Formado em Engenharia Aeroespacial pelo Instituto Superior Técnico, começou a carreira na Bombardier, como engenheiro de sistemas, onde esteve focado no desenvolvimento de sistemas autónomos nos quatro cantos do mundo, Europa, América do Sul, Médio Oriente e Ásia.
Seguiram-se cerca de quatro anos na McKinsey, onde ajudou clientes de mais de sete indústrias até se focar maioritariamente na área da banca e começar a colaborar com os principais bancos do Médio Oriente em tópicos que vão desde tecnologia, M&A, estratégia e marketing & vendas. Nesta experiência, desenvolveu diversas plataformas digitais para bancos, quer para clientes de retalho, clientes corporativos e para processos internos de risco e operações. Foi neste período que o seu interesse pela área financeira despertou e começou a acompanhar o desenvolvimento da indústria de fintech.
Mais tarde, teve a sua primeira experiência como empreendedor. Criou a WODly, uma solução que usa algoritmos de inteligência artificial para dar feedback em tempo real ao utilizador sobre o seu exercício físico e postura. Seguiram-se dois anos na Amazon, como líder da equipa de supply chain analytics de forecasting e planeamento para toda a Europa.
Ao longo dos últimos 10 anos, viveu em oito países da Europa, América, Médio Oriente e Ásia. Regressou a Portugal com a vontade de voltar a ser empreendedor e de criar algo com impacto, que melhore a qualidade de vida de quem vive em Portugal, e surgiu a Paynest.
Pode falar-nos um pouco dos seus estudos no Técnico?
Em 2008, ingressei no curso de Engenharia Aeroespacial no Instituto Superior Técnico, onde estudei até 2013. Considero que foi um curso muito completo e desafiante, que me permitiu aprender sobre diversos assuntos, desde programação, inteligência artificial e aerodinâmica, sempre com o acompanhamento de excelentes professores e pertencer a uma comunidade de alunos com muita ambição e conhecimento de todo o país e de vários cantos do mundo. A par disso, fui destacado com três diplomas de mérito na licenciatura, com Cum Laude no mestrado, devido ao meu desempenho académico. Terminei ainda em primeiro lugar na competição Delta Mobile APP Hackathon entre universidades em 2012.
No Técnico, senti que a preparação nos fundamentos de cálculo, programação e engenharia sempre foi muito sólida. Inclusive, recordo-me quando eu e mais sete colegas do Técnico começámos o mestrado numa das mais prestigiadas universidades de Engenharia Aeroespacial da Europa, a TU Delft na Holanda, e de como nos destacámos todos no primeiro exame de "Control Theory", onde nenhum de nós tirou abaixo de 19, média bastante superior aos restantes cerca de 200 alunos que vinham de vários países e universidades.
Algumas das unidades curriculares que marcaram o meu percurso académico foram as aulas de Cálculo nos históricos anfiteatros do pavilhão central do IST e as competições de programação e algoritmia para treinar a nossa capacidade de resolução de problemas, de modo a sermos mais rápidos e eficientes, mas todas marcaram o meu percurso de alguma forma. Mesmo aquelas mais complicadas e que exigiam exames orais para alcançar uma nota superior a 17 valores ensinaram-me que não há nada que não seja possível de aprender e realizar. Mesmo que nunca tenha aplicado muitos dos conhecimentos no meu dia-a-dia, sei que me prepararam para aprender qualquer coisa e ser bem sucedido fora do mundo académico.
O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
O meu percurso no Técnico não ficou só marcado pela parte educativa, mas também pelas atividades extracurriculares desportivas, na equipa de basquetebol, onde competíamos em campeonatos federados e universitários, dentro e fora de Portugal. Recordo não só as aulas nos auditórios por onde passaram grandes engenheiros e profissionais, mas também o espírito de camaradagem da equipa de basquetebol, dentro e fora do campo, e o empreendedorismo que já se via, em que tínhamos de encontrar formas criativas de angariar fundos para ir a torneios e eventos, nacionais ou internacionais.
Em que atividade extracurricular esteve envolvido?
Sempre gostei muito de desporto e ainda hoje mantenho a atividade física como parte do meu dia-a-dia. Jogava basquetebol federado desde os meus 7 anos e parar de jogar quando entrei no IST não era uma opção. Por esse motivo, decidi fazer parte da equipa de basquetebol do IST e liderei-a durante alguns anos. Estudar e ser atleta em simultâneo é desafiante, mas é algo que recomendo fortemente. Esta atividade tornou-me uma pessoa muito mais disciplinada e com um grande espírito de equipa, competências que agora trago para a minha vida profissional.
Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Iniciei a minha carreira na Bombardier, como engenheiro de sistemas, onde estive focado no desenvolvimento de sistemas autónomos nos quatro cantos do mundo, Europa, América do Sul, Médio Oriente e Ásia. Seguiram-se cerca de quatro anos na McKinsey, onde fui considerado “distinctive” e ajudei clientes de mais de sete indústrias até me focar maioritariamente na área da banca. Foi neste período que comecei a ter um maior contacto com vários portugueses sócios de banca, nomeadamente alumni do IST, o meu interesse pela área financeira despertou, onde também trabalhei com muitos sócios portugueses de banca, alguns deles alumnis do IST, e comecei a acompanhar o desenvolvimento da indústria de fintech.
A minha paixão por tecnologia, levou-me à minha primeira experiência como fundador. Criei a WODly, uma solução que usa algoritmos de inteligência artificial para dar feedback em tempo real ao utilizador sobre o seu exercício e postura. Seguiram-se dois anos na Amazon, como líder da equipa de supply chain analytics de forecasting e planeamento para toda a Europa. E, recentemente, regressei a Portugal e fundei a Paynest, uma plataforma destinada a empresas que permite aos colaboradores evitar situações financeiras precárias e de endividamento.
Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Este ano, fundei a Paynest, uma plataforma de pagamento flexível de salários, destinada a empresas, que permite ao colaborador resgatar uma parcela do seu salário pela qual já trabalhou de forma simples, rápida e transparente.
Fundada por mim e pelo empreendedor em série, Michalis Gkontas, a Paynest tem como missão acabar com os microcréditos a que se recorre quando há imprevistos ou despesas de última hora que não podem esperar pelo fim do mês para serem cobertas. A par da funcionalidade de remuneração, a plataforma oferece uma ferramenta de prevenção de endividamento baseado na promoção da literacia financeira, através de uma avaliação financeira de cada colaborador, artigos financeiros personalizados e do acesso a uma equipa de coaches financeiros. Estes dão apoio individualizado e confidencial, respondendo às questões de cada colaborador, através de um chat.
Do lado das empresas, a Paynest atua como um benefício com impacto no bem-estar financeiro dos seus trabalhadores, já que as preocupações financeiras estão no topo das prioridades apontadas por estes. Adicionalmente, o facto de se libertarem destes problemas permite que sejam mais produtivos e estejam mais felizes no seu local de trabalho, aumentando, assim, os níveis de retenção.
Estamos a lançar a Paynest em simultâneo em Portugal e Grécia, porque acreditamos que o seu impacto é bastante significativo nestes dois mercados.
Como é que entrou na área profissional em que está agora?
Nos quatro anos em que estive na McKinsey, ajudei clientes de mais de sete indústrias até me focar maioritariamente na área da banca e começar a colaborar com os principais bancos do Médio Oriente em tópicos que vão desde tecnologia, M&A, estratégia e marketing e vendas. Nesta experiência, desenvolvi diversas plataformas digitais para bancos, para clientes de retalho, clientes corporativos e para processos internos de risco e operações. Foi neste período que o meu interesse pela área financeira despertou e comecei a acompanhar o desenvolvimento da indústria de fintech, o que influenciou profundamente o resto da minha carreira e levou à criação da Paynest.
Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira?
A nível geral, sinto que o Técnico me deu todas as ferramentas técnicas necessárias para os desafios profissionais que me esperaram depois da vida académica. Contudo, no meu percurso profissional, necessitei de aprender a comunicar de forma mais top-down e eficiente, em vez da forma “dedutiva” típica de engenheiros. Atualmente, diria que os grandes desafios que enfrento estão relacionados com a Paynest, por ser a ser uma solução inovadora no contexto português e tocar um tema que é "tabu" para muitos.
Atualmente, como é um dia típico para si?
Na vida de um empreendedor não há um dia igual ao outro. Por norma, a primeira prioridade do meu dia é a família, em especial a minha filha ainda bebé. Segue-se o exercício físico, que é um “vício” diário não negociável pois garante o meu bem-estar físico e mental. No resto do dia, estou dedicado à Paynest e ao seu crescimento em Portugal e na Grécia. Neste momento, passo a maioria do meu tempo em reuniões com clientes e investidores e a desenvolver a equipa que está dividida entre Portugal, Grécia e Inglaterra.
Quais são os seus planos para o futuro?
Os meus planos para o futuro passam pela Paynest e pelo seu crescimento em Portugal e na Grécia, e também na sua expansão para novas geografias, pelo desenvolvimento de novos produtos e pela criação de relações de longo prazo com os principais empregadores, oferecendo aos seus colaboradores uma solução de A a Z para alcançarem um bem-estar financeiro.
Deste modo, quero contribuir para que Portugal se transforme numa nação menos dependente de crédito que cria ciclos de endividamento muito difíceis de suportar, mais literada a nível financeiro e com mais segurança no que toca às suas finanças.
Que conselhos daria aos estudantes atuais?
Em primeiro lugar, que aproveitem os anos do Técnico e todas as "ferramentas" que o IST lhes dá, mas que procurem, também, manter hobbies e atividades fora das aulas e da vida académica. Estas são uma ótima maneira de crescerem como pessoas e aprenderem outras skills complementares que vos vão preparar melhor para o futuro. O último conselho é que procurem saber mais sobre várias áreas, nomeadamente sobre finanças pessoais, algo que só aprendi a gerir depois do meu percurso académico ter terminado.
