
10 perguntas a Raul Galamba
O Raúl Galamba fez Engenharia Mecânica em 1987 e depois o Mestrado em Sistemas. Sem fazer muitos planos, acabou por fazer uma carreira em gestão, mas quem o conhece diz que ele nunca deixou de pensar como engenheiro.
Nasceu em Moçambique, estudou em Lisboa e trabalhou com muitos bancos um pouco por todo o mundo. Depois de muitos anos a "viver em aviões" tem agora um ritmo mais tranquilo, combinando trabalho e família em doses mais equilibradas.
Tem convicções fortes sobre muitas coisas - uma delas é sobre o valor que a formação e a disciplina de trabalho têm na melhoria da vida das pessoas e na sociedade em geral.
Algo que mantém desde o Técnico é o interesse por muitas coisas ao mesmo tempo. Nos últimos anos, mais por responsabilidade do que por vocação, começou a investir algum tempo em causas sociais, e acha que nos próximos anos vai dedicar mais atenção a estes projectos.
Porquê o Técnico?
Sempre achei que queria estudar engenharia mecânica, o Técnico foi a escolha óbvia (creio que hoje em dia ainda é!).
Pode falar-nos um pouco dos seus estudos no Técnico?
Os 5 anos passaram depressa. Aprendi a ser eficiente, ia a todas as aulas e fazia sempre as cadeiras nos testes, acabava por estudar bastante menos. E despachava-me para férias mais cedo!
O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
A quantidade de coisas diferentes que se aprendem. A ideia de que o saber, desde logo aquilo que na altura me interessava – as matemáticas puras e aplicadas, as ciências e a tecnologia – era sempre interessante e inesgotável. A diversidade sempre me atraiu.
Qual foi a melhor parte do seu curso? E a mais desafiante?
Gostei de quase todas as cadeiras – talvez melhor se disser que não me recordo de nenhuma que achasse desinteressante. Talvez Economia, o que tem a sua graça dada a carreira que depois fiz.
A mais desafiante foi Electromagnetismo, acabei com um 13. Uma das perguntas do teste foi “A luz natural, teoria, exemplos e aplicações”. Durante uns tempos perseguiu-me nos meus sonhos.
Qual é a sua melhor recordação do Técnico?
Recordo sobretudo cadeiras: Álgebra (uma das primeiras cadeiras), as Análises Matemáticas todas, Mecânica de Fluidos, Controlo de Sistemas. História das Ciências com o Padre Resina foi um ponto alto. Fui também delegado de curso, levava aquilo a sério... E a paixão pelos automóveis – em Março desaparecíamos para o Rali de Portugal.
Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Foi realmente no Técnico – fui monitor e assistente na Secção de Sistemas do Departmento de Eng. Mecânica. Gostei imenso de dar aulas, enquanto fazia o mestrado de Sistemas, e enquanto esperava pelo serviço militar. Depois foram quase 30 anos em consultoria, na McKinsey.
Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.
Dedico uma parte importante do meu tempo aos CTT, uma empresa em enorme transformação. E ao BBVA, um banco internacional com uma posição muito forte na banca digital e nas oportunidades associadas à transição energética. Em Portugal colaboro ainda com o Grupo Mello.
Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?
Em termos pessoais, talvez fazer escolhas profissionais. Seguir um caminho implica muitas vezes abdicar de outros, que na altura parecem também muito interessantes. Mas tenho de reconhecer que estas decisões também nunca me tiraram o sono. Prefiro olhar para diante do que para trás.
Como é que entrou na área profissional em que está agora?
Na McKinsey fiz parte da área de serviços financeiros, é a indústria que realmente conheço em detalhe. Depois uma coisa levou à outra.
Não acredito muito em estratégias de carreira, e no meu caso as oportunidades foram aparecendo. Um ponto que talvez tenha marcado o percurso foi nunca ter feito hedging das escolhas que fiz.
Quais têm sido os grandes desafios da sua carreira?
O equilíbrio entre as muitas coisas que gostaria de fazer e o tempo que se deixa para a família e para quem está à nossa volta. Mas os anos vão ajudando a melhorar.
Quais são os seus planos para o futuro?
Manter-me ocupado em projectos interessantes com pessoas com quem posso aprender. E contribuir cada vez mais para a comunidade que nos rodeia. E também dar bons exemplos às minhas filhas e aos meus filhos.
Um exemplo – reconhecer o enorme valor que o Técnico me deu, praticamente de borla. E por isso achar que devo contribuir de volta como alumnus e ajudar quem agora lá está. Não dá para ficar indiferente.
Que conselhos daria aos estudantes atuais?
Fazer escolhas com base naquilo que se gosta – a paixão é uma fonte de energia enorme. Pensar em grande, e estar sempre preparado para recomeçar e tentar de novo. E não esquecer que a disciplina e o optimismo são importantes e cultivam-se desde a juventude.
De que mais se orgulha na sua vida?
Esta é a pergunta mais fácil! Da minha família, claro – a minha mulher, que é extraordinária, e os meus 7 filhos, com o carácter, a personalidade e os valores que têm. Quando amadurecemos percebemos que os nossos êxitos pessoais, por mais estupendos que sejam, valem muito pouco se não forem semente para alguma coisa maior.
Tem uma citação ou frase favorita?
“Dos fracos não reza a história…?”
