10 perguntas a Claudia Brito

Publicado em February 24, 2023

Claudia Brito formou-se em 1993 em Engenharia Química, ramo de Biotecnologia. Em 2020 fez uma pós-graduação em Gestão de Pessoas e Talento, na Nova SBE.
Gosta de escrever, e contribui mensalmente com um artigo na coluna “O Mundo é Redondo” da revista da SCM, uma referência nacional no mundo da comunicação da Supply Chain.
Depois de acabar o curso no Técnico, entrou para a Procter&Gamble para um estágio na área de Supply Chain, e acabou por ficar mais de 20 anos na mesma empresa. Durante esse tempo, geriu muitas equipas e projectos, foi expatriada em França e teve várias funções locais, regionais e globais, maioritariamente em Logística, Serviço a Clientes e Planeamento, com passagens por Recursos Humanos e Vendas.
Mais recentemente trabalhou numa start-up de ecommerce, de comida saudável, biológica e vegetariana, a kencko, criando a sua Supply Chain de raíz, desde a estratégia, aos processos e à organização. É agora Global Head of Transportation Operations na Nokia.


Porquê o Técnico? 
Eu sempre me vi a estudar engenharia, porque adorava matemática e gosto de perceber como as coisas funcionam.
O Técnico foi uma escolha natural, atraia-me a dinâmica, o sentido de independência e a reputação.

Pode falar-nos um pouco dos seus estudos no Técnico?
Quem estudava no Técnico podia ou não ir ás aulas, só os laboratórios eram obrigatórios e depois os exames, claro.
Eu sempre fui uma aluna certinha, ia a (quase) todas as aulas, com uma enorme carga horária que era apanágio de Química, com muitos relatórios e trabalhos.
Nos últimos anos envolvi-me no BEST, tendo feito um estágio em França na área de “Waste Management”, e fiz o Erasmus na Holanda, ficando alguns meses numa residência universitária com estudantes de todo o mundo.

Como mulher, como foi estudar no Técnico?
Estudar como mulher no Técnico foi normal em Química, onde havia uma maioria de mulheres, e confesso que nunca pensei muito sobre o assunto.
Achava piada à anedota sobre o que Deus perguntava à meninas quando nasciam: “Queres ser bonita, ou ir para o Técnico?”
Contudo, no edifício de Mecânica só havia casas de banho de homens, e isso sempre me fez confusão.

No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?
Tive vários professores icónicos, mas quem mais me inspirou foi a professora Teresa Duarte, uma pessoa maravilhosa para além de excelente professora. Tive uma bolsa para trabalhar no laboratório dela em espectrometria por difracção de raio-x, e pude também, por proposta dela, ir para a Universidade de Amsterdão durante alguns meses, estudar cristalografia e colaborar no trabalho de investigação dum aluno de doutoramento, sobre as transições de fases da manteiga de cacau.

Como é que entrou na área profissional em que está agora?
Quando acabei o curso, a minha intenção era trabalhar na indústria farmacêutica, em investigação. Contudo, uma das empresas que foi fazer uma apresentação ao Técnico, a recrutar jovens recém-licenciados, foi a Procter&Gamble. Eu confesso que não fazia ideia do que fazia a empresa, mas achei as pessoas tão entusiasmantes e entusiasmadas, sobretudo o director geral (era americano e muitíssimo carismático) que resolvi candidatar-me para um estágio de Supply Chain, fui seleccionada, e fiquei.

O que a faz ter orgulho em ser alumna do Técnico?
Tenho orgulho em ter estudado no Técnico porque tem uma grande tradição de valor, e permitiu-me aprender o que de mais actual se fazia em ciência na altura. Foi uma escola de resiliência, com professores interessantíssimos e um curriculum muito rico.

Que conselhos daria às raparigas que estão a pensar em estudar STEM, particularmente no Técnico?
Tenho alguma dificuldade em compreender porque há-de ser mais difícil para uma rapariga estudar ciência, tecnologia, engenharia e matemática, do que para um rapaz. Portanto o único conselho que posso dar é que, se é algo que realmente quer, que o faça, sem perder tempo e energia a pensar que vai ter alguma desvantagem por isso. Eu nunca me arrependi de ter estudado no Técnico, antes pelo contrário, sempre foi algo que me valorizou profissionalmente. Ser mulher pode ser alvo de descriminação por outras razões, mas fazer o nosso percurso académico num ambiente exigente e intelectual, psicologicamente dá-nos força para enfrentar injustiças no mundo laboral.

Que palavra ou frase usaria para descrever os alumni do Técnico?
As palavras que me ocorrem são independentes, determinados e que pensam pela sua cabeça.

De que mais se orgulha na sua vida?      
Orgulho-me dos meus filhos (tenho 3, um já acabou o mestrado no Técnico e os outros dois ainda lá estão a estudar, um na Alameda e outro no Taguspark). São pessoas saudáveis, desportistas, a caminho de serem autónomas e com valores e princípios. Para além disso, acho que contribuí para o bem-estar de várias pessoas, nos sítios onde trabalhei e também como voluntária, e isso faz-me feliz.

Tem uma citação ou frase favorita?
“Somos moldados pelas circunstâncias, mas as nossas escolhas definem-nos”.