
O regresso do Eng. José Antelo ao Técnico, aos 90 anos
José Antelo, de 90 anos, licenciou-se no Técnico em Engenharia Mecânica em 1955. Quase 70 anos depois, voltou para fazer um mestrado em Matemática, porque, segundo ele, “quem não progride, estiola e morre”.
Em entrevista à TSF, no programa “Onde nos levam os caminhos”, o alumnus confessa que se considera uma pessoa afortunada, por ter tido oportunidade de ter um horizonte alargado, tendo já visitado mais de 50 países ao longo da sua vida. Natural de Lisboa, José Antelo é um fervoroso leitor desde novo, selecionando com atenção os leitores que escolhe, porque há muitos livros, mas “a vida é limitada e irreversível”, por isso é necessário ser minucioso nas escolhas.
Ao entrar na universidade, hesitou entre medicina e engenharia. Contudo, o gosto pela física, pela química e pela matemática fizeram-no optar pelo Técnico. Na altura em que se formou, lembra que as empresas “iam a casa” para recrutar trabalhadores, contudo, também nesse plano foi criterioso, fazendo escolhas profissionais com base na família e privilegiando fazer o que mais gostava, significando abdicar de melhores condições oferecidas. Alternou entre empresas ao longo de 40 anos de trabalho, porque tem como princípio que uma pessoa deve sair “quando é desejada e não quando é suportada”, acabando por ir subindo de posição. Saiu da Sorefame, já extinta, como administrador. Destaca, entre outros grandes desafios profissionais, a responsabilidade de preparar todo o fabrico das 22 mil toneladas métricas do tabuleiro da ponte sobre o Tejo.
67 anos depois de se licenciar, está de regresso ao Técnico para fazer mestrado em Matemática, uma vez que nas últimas décadas houve um desenvolvimento muito grande e quer estar a par, já que “nunca é tarde para aprender”. Revela que na carta de motivação disse que não se inscreveu por motivos académicos nem profissionais, mas apenas por motivos de desenvolvimento intelectual. Adianta ainda que “se servir de exemplo nem que seja só para um” dos mais novos, para a importância de estudarem a vida toda, “já valeu a pena”.
Oiça a entrevista na íntegra aqui.
