
10 perguntas a Rui Mesquita
Rui Mesquita, com uma sólida carreira de mais de 30 anos, é atualmente Senior Banker no CaixaBank, residindo em Madrid.
Licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico, encontrou na área de Planeamento Urbano e Transportes a sua grande paixão, que aprofundou com um Mestrado em Transportes. Foi esse mestrado que, curiosamente, o fez entrar no setor em que se encontra ainda hoje - setor bancário – e onde, provavelmente, terminará a sua carreira profissional. Durante o seu percurso no Técnico, destacou-se pelo envolvimento na criação da "Job Shop" e da JUNITEC, que aproximaram o ambiente académico do mercado de trabalho. Com experiência acumulada na Administração de empresas do Grupo Águas de Portugal, em funções políticas como assessor do Ministro do Ambiente e em empresas de renome como o Banco BPI e desde 2009 no Caixabank, alia o seu conhecimento técnico a uma sólida visão estratégica.
Porquê o Técnico?
Porque na altura em que tive escolher o meu futuro profissional, ou pelo menos a área onde gostaria de começar a trabalhar, era a escola com maior reputação e reconhecimento, essenciais para a colocação fácil no mercado de trabalho.
Pode falar-nos um pouco dos seus estudos no Técnico?
Entrei para Engenharia Mecânica e rapidamente me apercebi que não era isso que queria. Finalmente consegui mudar para Civil e as disciplinas que mais gostava eram as de Planeamento Urbano e de Transportes. Mas infelizmente nessa altura o curso de Civil estava preponderantemente virado para Estruturas e portanto tive o azar de ter apenas 5 disciplinas diferenciadoras nessas duas áreas. Talvez por isso, não tenha sido um aluno muito dedicado. Antes pelo contrário… Regia-me pelo principio do menor esforço mas isso teve o seu lado positivo: acabei por tirar o mestrado em Transportes onde consegui finalmente aprender coisas que realmente gostava.
Como foi estudar no Técnico?
Foi fácil. Estudava pouco – em Janeiro e Julho de cada ano – mas bem! E tive a sorte de ter colegas que me ajudavam: duas colegas facultavam-me fotocópias dos seus apontamentos e depois tive grupos de amigos com quem estudei em conjunto.
O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Das aulas… Pouco!!De fora delas… Amizades que duram até hoje! E serão para a vida…
Qual foi a melhor parte do seu curso?
Foi a parte final em que tive o último semestre com disciplinas que realmente eram da minha eleição. E também porque tinha já a “meta à vista”.
Em que atividades extra-curriculares esteve envolvido?
Como ia pouco às aulas dediquei-me à Associação de Estudantes pois fazia parte de uma turma que era muito interventiva e procurava melhorar o Técnico no seu todo. O país acabava de entrar na então Comunidade Económica Europeia e era uma época de grandes investimentos e de grandes mudanças. Havia muita esperança no futuro do país e o Técnico não fugia a isso. De modo que dediquei muito do meu tempo à Associação de Estudantes. Estive na criação da “Job Shop” que era um conceito novo na altura e que nem sei se ainda existe. Montámos um insuflável gigante na alameda do Técnico e todas as grandes empresas vinham apresentar-se e recrutar jovens recém licenciados. Mais tarde também estive na criação da Junitec, Junior Empresa do Instituto Superior Técnico. Foram tempos muito divertidos e que me ajudaram a ter um primeiro contacto com o mercado de trabalho, ou seja, com o mundo real.
No Técnico, teve alguma figura inspiradora? Quem e porquê?
Sim, tive o Professor José Manuel Viegas que era o professor catedrático da área de Transportes. Era um mouro de trabalho, com uma cabeça brilhante, com muito mundo e ao contrário da grande maioria de professores do Técnico da altura, era um grande comunicador e conseguia captar e manter a atenção de todos.
Qual é a sua melhor recordação do Técnico?
A amizade que criei com colegas com quem “queimei muitas pestanas” a estudar mas também em altas borgas que são relembradas incessantemente cada vez que estamos juntos de novo.
Qual é o seu lugar preferido no Técnico e porquê?
As escadarias do pavilhão central onde passei muitas horas a apanhar sol! Na altura não havia nenhum bar com acesso ao exterior portanto era esse o “refúgio".
Pode falar-nos um pouco sobre o início do seu percurso profissional?
Andei durante dois anos a cirandar por várias empresas e sectores até decidir por enveredar pelo Mestrado em Transportes onde aprendi o que realmente mais me aliciava. Curiosamente foi esse mestrado que me permitiu entrar noutro sector – bancário – onde hoje ainda estou e onde, provavelmente, terminarei a minha carreira profissional.
