10 perguntas a Matilde Neffe

Publicado em April 15, 2024

Matilde Neffe tem 33 anos, licenciou-se em Engenharia Biomédica no Técnico em 2011, e fez um mestrado em Gestão na Católica-Lisbon School of Business & Economics que concluiu em 2013, depois de um semestre na Tongji University em Shanghai. É natural de Cascais, tem uma costela inglesa, e identifica-se como uma cidadã europeia. Vive em Londres, com o marido e os 2 filhos.

Fundou aos 19 anos a sua própria empresa que lhe garantiu estabilidade financeira durante os estudos universitários. Acabados os estudos, e com o objetivo de trabalhar em "big tech", começou a sua carreira em Paris como estagiária numa startup do grupo Rocket Internet. Apenas 9 meses depois, junta-se à Amazon na área de Retail e em 2016, após uma promoção, muda-se para Londres para uma posição na Prime Video em Operações e Marketing. Desde então trabalhou na AWS junto de grandes startups portuguesas e mais recentemente na área de GenAI da Amazon Search a nível mundial. Deixou a empresa em Fevereiro de 2024 após quase 10 anos, para se lançar no mundo do empreendedorismo.

Porquê o Técnico?

O Técnico foi, para mim, uma escolha óbvia, numa altura em que o meu percurso não era necessariamente óbvio para mim. Eu vinha da área de ciências e tinha uma grande vontade de continuar a ser desafiada neste meio enquanto decidia o caminho profissional que queria tomar. O Técnico era a referência em Lisboa, e no país, para uma formação académica de rigor e para mim uma aposta certa no meu futuro.

Como foi estudar no Técnico? (Ou como mulher, como foi estudar no Técnico)?
No meu primeiro ano, onde estudei em Engenharia Física e Tecnológica, penso que não éramos mais de 5 mulheres entre 60 homens. Apesar disso, foi para mim sempre um motivo de orgulho e privilégio fazer parte desse grupo de pessoas, mulheres e homens, extremamente inteligentes e capazes. Senti em mim o dever de provar que, enquanto mulher, é possível. E foi.
 
O que mais leva dos seus tempos de Técnico, nas aulas ou fora delas?
Ainda hoje, penso nos dias no Técnico como alguns dos mais desafiantes. A complexidade e exigência de algumas cadeiras é muitas vezes incomparável aos desafios do mundo do trabalho. O Técnico deu-me ferramentas para a vida: ensinou-me a procurar mais, a fazer perguntas e a não aceitar a primeira resposta. A capacidade de resolver problemas complexos de maneira criativa foi muito trabalhada na altura e guardei ensinamentos que apliquei no meu percurso profissional, e que foram chave para obter a minha primeira entrevista em 2014 na Amazon e me diferenciar de outros candidatos.
 

Qual é a sua melhor recordação do Técnico?

As minhas melhores recordações do Técnico são momentos com colegas, em aula ou em estudo. Sigo ainda hoje o percurso de muitos deles com orgulho, e foi um grande privilégio ter feito parte desse grupo.
 

Qual é o seu lugar preferido no Técnico e porquê?

O meu lugar de eleição era a biblioteca do edifício central onde estudei muitas vezes - eu gostava do silêncio e do rigor daquele espaço, que para mim, era acolhedor.
 

Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?

A decisão mais difícil que tive de tomar foi a mais recente de deixar a Amazon após quase 10 anos na empresa. Foi uma decisão que tomou vários fatores em conta, mas foi sobretudo a vontade de criar pelas minhas mãos e voltar à estaca zero, que culminou nessa decisão. Senti uma necessidade grande de voltar a estar fora da minha zona de conforto e criar tempo e espaço para redesenhar o que quero para o meu futuro fora de uma grande empresa multinacional.
 

Como é que entrou na área profissional em que está agora?

O meu percurso é atípico - eu decidi completar apenas a licenciatura em Engenharia Biomédica que na altura era um mestrado integrado. No segundo ano do Técnico eu já sabia que queria trabalhar em "Big Tech" no estrangeiro e achei que complementar a licenciatura com um mestrado internacional em Gestão me daria um conjunto de aptidões interessantes para esse tipo de empresas. Esta experiência académica aliada a uma curta experiência numa start-up catapultou-me para uma carreira de quase 10 anos na Amazon, da qual tenho muito orgulho.
 

Que conselhos daria às raparigas que estão a pensar em estudar STEM, particularmente no Técnico?

A maior aposta que podem fazer no vosso futuro neste momento é estudar STEM - a procura por talento nesta área é imensa e vai continuar a crescer, especialmente por mulheres e minorias que possam oferecer perspetivas diferentes e representar cada elemento da nossa sociedade. A diversidade é um fator chave para o sucesso das empresas do futuro, este é um facto reconhecido por executivos nas grandes empresas multinacionais.
 

Que palavra ou frase usaria para descrever os alumni do Técnico?

Excelência
 

De que mais se orgulha na sua vida?

Tenho sobretudo orgulho na minha capacidade de planear e executar o plano da minha vida de acordo com o que pretendo atingir. Ter a confiança e a certeza para saber quando dizer não, quando mudar de rumo, ou quando agarrar uma oportunidade - estas foram as chaves da minha carreira até hoje. Um grande motivo de orgulho adicional tem sido gerir a minha carreira enquanto mãe de 2 crianças (de 2 e 4 anos). Exige uma disciplina e uma perseverança enorme e saber que fui distinguida em 2023 como uma colaboradora de excelência na Amazon deixou-me extremamente orgulhosa, apesar do desafio.
 

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