10 perguntas a Paulina Rocha

Publicado em February 16, 2024

Paulina Rocha formou-se em Engenharia Biomédica pelo Instituto Superior Técnico em 2019. Posteriormente, em 2021, realizou uma pós-graduação em Health Management na NOVA SBE. Realizou a sua tese com a Siemens Healthineers, empresa onde trabalha até aos dias de hoje, 5 anos depois.
Há cerca de um mês aceitou o desafio de abandonar o seu país para seguir uma carreira internacional, como responsável pelo desenvolvimento de solução na equipa de Enterprise Services da Siemens Healthineers, para todo o Médio Oriente e África.

Como mulher, como foi estudar no Técnico?

Não reconheço qualquer dificuldade que possa ter tido pelo facto de ser mulher. A verdade é que era uma universidade com uma maioria masculina, mas Engenharia Biomédica ia contra esse preconceito. No entanto, devo dizer que notei, no decurso da minha passagem pelo Técnico, muitas melhorias e tornou-se cada vez mais simples ser mulher.

Em que atividades extra-curriculares esteve envolvida?

Durante o curso fiz sempre questão de trabalhar porque sentia que estimulava e potenciava o desenvolvimento de soft skills que acreditava serem igualmente importantes ao meu desempenho no futuro. Durante grande parte do curso trabalhei na Feira Internacional de Lisboa.

Além disso, praticava desporto com regularidade como incentivo a disciplina e resiliência (muito necessários durante o curso!).

Estive envolvida no projeto da Missão País que me permitiu conhecer muitos colegas e amigos e, em termos logísticos, aprender bastante sobre a organização de atividades desta dimensão.

Fale-nos um pouco sobre o trabalho que está a desenvolver atualmente.

Atualmente trabalho na Siemens Healthineers e sou responsável pelo desenvolvimento de solução na equipa de Enterprise Services, para todo o Médio Oriente e África. Em resumo, se antes a Siemens Healthineers tinha um grande foco na venda transacional de grandes equipamentos médicos, nos últimos anos, e com a evolução do mercado, houve a necessidade de criar uma área de negócio que desenhasse soluções mais holísticas e abrangentes.

Desta forma, o meu trabalho passa por conciliar e integrar os vários produtos do nosso portfólio, desde tecnologia, aplicações digitais, serviços e consultoria estratégica.

Esta solução altamente customizada, que denominamos de Parceria de Valor, procura responder às necessidades e objetivos dos clientes, num horizonte temporal a médio e longo prazo. Por isso, participo sobretudo na fase de desenvolvimento de negócio.

Qual foi a decisão mais difícil que alguma vez teve de tomar?

Recentemente tomei a decisão de mudar-me para o estrangeiro e deixar de trabalhar em Portugal.  Além todos os desafios adjacentes a esta mudança, é inevitável sentirmos uma certa culpa por “abandonarmos” o nosso país, depois do investimento na educação de cada um. Efetivamente é um passo que nos permite crescer pela internacionalização e abordagem a novos mercados, o que a certa altura será fundamental para mais tarde contribuirmos para o desenvolvimento e inovação no nosso próprio país. Estou certa de que foi a melhor decisão para o meu futuro, mas a verdade é que foi talvez dos processos de tomada de decisão mais exigentes, pela sua dimensão pessoal e profissional. O conselho que deixo é que, para crescer, devemos sair da nossa zona de conforto.

Como é que entrou na área profissional em que está agora?

Quando chegou o momento de desenvolver a minha dissertação de mestrado vi-o como uma oportunidade de testar as minhas capacidades práticas, de trabalho. Tinha a ambição de desenvolver o meu trabalho em ambiente empresarial e por isso procurei a oportunidade certa. É aí que começa o meu percurso na Siemens Healthineers, empresa onde até hoje me encontro a trabalhar, na mesma área de negócio, Enterprise Services.

O que a faz ter orgulho em ser alumna do Técnico?

Reconhecerei sempre a mais valia que foi estudar no Técnico. Embora durante o nosso percurso académico haja muitos dias em que é difícil reconhecê-lo, o Técnico é uma enorme escola de resiliência e ambição. É importante manter o foco no objetivo final, e a recompensa vem. Acredito que o Técnico me ensinou a aprender rápido e bem, qualquer coisa. E lembro-me que entre momentos de angústia e dúvidas no decorrer no do curso, a partir do dia em que percebi isso, foi muito mais fácil. É um “carimbo” que, além de oportunidades, traz também muita responsabilidade. 

Que conselhos daria aos estudantes atuais?

É tão importante ter um desempenho académico exímio, como construir um caminho profissional digno, desde o momento zero. Ainda na universidade devemos projetar o nosso futuro a 10, 15 anos. Onde gostaria de estar? E então trabalhar para desenvolver competências que nos tornem no profissional e indivíduo que ambicionamos ser, que nos ajudem a trilhar o caminho na direção certa. Um bom Engenheiro precisa tanto de competências técnicas como de interpessoais e sociais. E é importante ter a humildade de admitir que há sempre espaço para crescer, aprender e melhorar. Temos de ser bons alunos nessa dimensão também.

De que mais se orgulha na sua vida?

Orgulho-me muito do meu percurso, sobretudo de ter sido fiel àquilo em que acreditava. Esforcei-me para ser uma boa aluna ao mesmo tempo em que trabalhava nas competências que identifiquei como necessárias para poder exercer o que pretendia. Trabalho diariamente para melhorar o meu desempenho técnico, mas sobretudo a minha inteligência emocional, porque acredito piamente que o sucesso depende de pessoas, colegas, amigos e não é um “one Woman show”. Orgulho-me das pessoas que fui acolhendo no meu percurso e a quem devo todas as minhas pequenas ou grandes conquistas. Procuro recordar-me todos os dias de como tudo começou, de onde vim e, na assertividade que a cada dia me é mais exigida, manter sempre a humildade como base.

Que conselhos daria a mulheres que estão a pensar em estudar engenharia biomédica, particularmente no Técnico?

Sejam fiéis a vós mesmas, aos vossos princípios e a vossa feminilidade. Não somos todos iguais, e é aí que está a graça de viver. Por isso, cabe a cada um de nós acrescentar aquilo que só nós temos. Não tenham medo de arriscar, sejam menos calculistas e desfrutem!

Tem uma citação ou frase favorita?

No decurso da minha passagem pelo Técnico, o meu pai dizia-me uma frase sempre que me sentia ansiosa a caminho de um exame: “Entre mortos e feridos alguns hão de escapar”. E, ao mesmo tempo que me ria e rio quando penso nisso, era a frase que me descansava, porque era a certeza de que alguma coisa ia dar certo. Inconscientemente, o meu pai dava uma conotação positiva a algo que, na altura, parecia catastrófico. Atualmente, e porque sou católica uso diariamente a frase: “Esforça-te como se tudo dependesse de ti, Confia como se tudo dependesse de Deus”.